Castro fica entre dois ministros, Moraes e André Mendonça, com duas visitas da PF em 11 dias
Enviado Terça, 26 de Maio de 2026.O ex-governador Cláudio Castro foi visitado duas vezes em duas semanas pela Polícia Federal, mas atendendo a dois ministros diferentes. Alexandre de Moraes é o relator do caso da Refit - de Ricardo Magro, maior sonegador de impostos do país - que levou à busca e apreensão na cobertura do governador no último dia 15. A de hoje, oitava fase da Operação Compliance Zero, é de relatoria do ministro André Mendonça, que investiga o RioPrevidência, e a descoberta é que subiu para R$ 3 bilhões o rombo no fundo de previdência dos servidores do Rio relacionado a investimentos do Banco Master. Inicialmente, falava-se apenas dos R$ 970 milhões em letras financeiras do banco de Daniel Vorcaro, o montante apontado pelas investigações é o triplo do identificado num primeiro momento.
E quem paga esse prejuízo? Quando há um desequilíbrio dessa monta, aumenta a necessidade de contribuição dos associados ao fundo e do mantenedor, que neste caso é o governo do Estado do Rio de Janeiro. Esse descuido com o dinheiro coletivo dos servidores é muito grave, e é isso que está sendo investigado. Mas quem tem que pagar é o fraudador e os agentes públicos que produziram o prejuízo.
Na semana passada, o senador Renan Calheiros apresentou uma não solução. Ele quer que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) pague todo o prejuízo desses fundos de pensão dos servidores. É uma proposta que vai na direção errada, desvia a função do FGC, que é proteger o investidor do varejo, o pequeno poupador, e não maus administradores, que sabiam o risco que estavam impondo ao dinheiro dos contribuintes. É preciso saber para onde foi esse dinheiro e obrigar Daniel Vorcaro a cobrir esse rombo. A medida apresentada pelo senador desvia o foco de quem verdadeiramente deve responder por essas fraudes.
É importante que a PF continue avançando nas investigações sobre os responsáveis por esses investimentos e mapeie o caminho do dinheiro. O que se tem falado é que Vorcaro estaria disposto a devolver R$ 60 bilhões dentro do processo de delação premiada. É preciso responsabilizar, em primeiro lugar, o ex-banqueiro, mas também os agentes públicos que foram coniventes com esses crimes contra os fundos de pensão de servidores de diversos estados.
Fonte: O Globo - Coluna Míriam Leitão
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