CPI do Crime aprova convocações de ex-BC, Castro e Ibaneis

Enviado Terça, 31 de Março de 2026.

Colegiado também votou requerimentos de informação; quebras de sigilo serão analisados separadamente.

A CPI do Crime Organizado aprovou nesta terça-feira a convocação do ex-diretor do Banco Central Renato Dias de Brito Gomes e dos ex-governadores Cláudio Castro (RJ) e Ibaneis Rocha (DF), ampliando a frente política da investigação sobre o caso envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro.

Também foram aprovados os requerimentos para ouvir Yan Felix Hirano, apontado como facilitador na inserção de recursos ilícitos no sistema financeiro, e o desembargador do TRF-2 Macário Ramos Júdice Neto. Os pedidos que incluem Castro e Ibaneis foram apresentados pelo relator, o senador Alessandro Vieira.

No caso de Ibaneis, a relatoria sustenta que a convocação está ligada a operações do escritório de advocacia fundado pelo governador com fundos associados ao ecossistema investigado, incluindo cessões de créditos a estruturas ligadas à Reag e ao Banco Master, além de decisões envolvendo o BRB na tentativa de aquisição da instituição financeira.

Já a oitiva de Castro busca esclarecer o ambiente de atuação do crime organizado no Rio, com foco em financiamento e lavagem de dinheiro, especialmente no contexto da chamada “narcomilícia”.

Na mesma sessão, a CPI aprovou requerimentos de informação a órgãos federais. O Banco Central deverá enviar dados sobre processos envolvendo o conglomerado Master, incluindo a atuação de servidores e a transferência de controle do Banco Máxima para Vorcaro e sócios. Também foram solicitadas informações ao BNDES sobre uma operação de R$ 5,05 bilhões na BR-163/MT e à Força Aérea Brasileira, com dados de planos de voo de aeronaves associadas ao grupo.

Os pedidos de quebra de sigilo — que atingem empresas como Kairos FIP, Clínica Mais Médicos, Laguz FIDC, Fraction 024 e Prime Aviation, além de pessoas físicas como Fabiano Campos Zettel e outros operadores — ainda serão analisados pelo colegiado individualmente. A expectativa entre parlamentares é que essa etapa permita avançar sobre o núcleo financeiro do caso, com o cruzamento de dados bancários, fiscais, telefônicos e telemáticos.

Na sessão de hoje, estava prevista a oitiva de Campos Neto, que conseguiu um habeas corpus no STF e foi desobrigado de comparecer.

Fonte: O Globo