TRE define substituto de Bacellar e abre caminho a novo comando da Alerj

Enviado Terça, 31 de Março de 2026.

Reconfiguração da Alerj deve destravar eleição para presidente. PL acionou STF para garantir que eleito assuma governo do Rio interinamente

O Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ) vai definir na tarde desta terça-feira (31/3) a nova composição da Assembleia Legislativa do estado (Alerj) após a cassação do mandato de Rodrigo Bacellar (União Brasil).

Por determinação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o TRE terá de excluir os 97 mil votos obtidos por Bacellar e refazer a distribuição das cadeiras. O procedimento é aguardado pela Alerj para começar a destravar os “nós” da sucessão no comando do estado com a renúncia de Cláudio Castro (PL) na semana passada.

O Tribunal de Justiça do Rio barrou, na última semana, a tentativa de partidos aliados ao governo Castro de eleger um novo presidente da Alerj. O comando da Casa está vago desde dezembro, quando Rodrigo Bacellar foi afastado após ser alvo de operação da Polícia Federal. Com a cassação do mandato de Bacellar pelo TSE, ficou aberta a possibilidade de substituição no comando do Legislativo.

A desembargadora Suely Magalhães avaliou, porém, que os ritos não foram seguidos adequadamente pela Alerj. Em sua decisão, ela afirmou que a Assembleia tem de aguardar a conclusão dos trâmites no TRE-RJ antes de realizar nova eleição.

A decisão voltou a embaralhar a sucessão estadual. A linha sucessória do Rio está em colapso desde 2025, quando o então vice-governador Thiago Pampolha renunciou, para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado, e Bacellar foi afastado da presidência da Alerj. Sem os dois primeiros nomes da sucessão, coube ao presidente do Tribunal de Justiça, desembargador Ricardo Couto, assumir interinamente o governo na última semana.

Para restabelecer a cadeia de sucessão fluminense e manter o controle político do estado, o grupo governista tentou alçar Douglas Ruas, ex-secretário de Castro e pré-candidato do PL ao governo, ao comando da Alerj. A movimentação também tinha como objetivo ampliar a visibilidade de Ruas junto ao eleitorado.

Frustrada pela decisão de Suely Magalhães, a operação não foi descartada completamente. Deputados aliados a Ruas afirmam que uma nova eleição deverá ser convocada após a conclusão dos procedimentos no TRE-RJ.

Segundo o líder do PL na Alerj, Filippe Poubel, o partido pretende manter a aposta em Ruas para substituir Bacellar no comando da Casa. Na semana passada, o ex-secretário das Cidades disputou o posto sem adversários e obteve 45 votos favoráveis.

O presidente interino da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), afirmou ao Metrópoles que ainda não há data definida para a nova eleição. Segundo ele, antes de convocar a sessão, a Casa deve consultar a Justiça Eleitoral e o Tribunal de Justiça.

Fonte: Metropóles