Rodrigo Bacellar decide tirar licença do mandato até o início do recesso e adia a renúncia em meio ao temor de novos desdobramentos no STF
Enviado Quinta, 11 de Dezembro de 2025.O parlamentar do União Brasil, que esteve preso preventivamente e afastado da presidência da Alerj, foi autorizado pelo ministro Alexandre de Moraes a seguir participando de sessões como deputado
O presidente afastado da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar (União Brasil), assinou nesta quarta-feira o pedido de licença do mandato como deputado estadual para tratar de assuntos particulares. O documento, segundo aliados, deve ser publicado em edição extra do Diário Oficial da Alerj ainda nesta tarde e representa, por ora, uma alternativa encontrada por parlamentares próximos para evitar um movimento considerado de “alto risco político”: a renúncia imediata à presidência da Casa. Embora pelo regimento ele tenha direito de se afastar por 120 dias, o parlamentar solicitou afastamento por dez dias, ou seja até o início do recesso (19 de dezembro).
De acordo com deputados que acompanham as negociações, Bacellar foi aconselhado a não renunciar agora por receio de que o gesto pudesse provocar uma reação mais dura do ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) que levou à sua prisão na semana passada. Entre os aliados, a avaliação é que uma mudança abrupta no comando da Alerj — sobretudo se articulada internamente — poderia ser interpretada como tentativa de interferência no curso do processo. No plenário, o painel de votações já indicava que ele se encontra de licença.
A estratégia inicial do grupo político de Bacellar era justamente o oposto: defender a renúncia ao cargo de presidente para abrir caminho a uma nova eleição na Alerj, garantindo que a sucessão permanecesse sob influência do parlamentar e preservando seu capital político. A alternativa chegou a ser ventilada no início da semana, mas perdeu força diante do temor de que o movimento pudesse motivar uma nova ordem de prisão ou o endurecimento das medidas cautelares impostas pelo STF.
O mesmo painel do plenário da Assembleia que não computou os votos nominais na sessão que decidiu pela soltura do parlamentar, hoje já mostra Bacellar como licenciado. E hoje também, a sessão começou com 36 parlamentares ausentes.
Bacellar foi preso no dia 3 de dezembro pela Polícia Federal por determinação do ministro Alexandre de Moraes. Ele é suspeito de envolvimento no vazamento de informações sigilosas da ação que levou à prisão do ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, conhecido como TH Jóias, em setembro. De acordo com a PF, a ação ilegal causou obstrução na investigação realizada no âmbito da Operação Zargunq, que apontou relação de TH com a facção Comando Vermelho.Trocas de mensagens entre Bacellar e TH Jóias foram apresentadas como provas do possível vazamento.
Nos bastidores da Casa, o impasse segue. Deputados próximos ao presidente afastado ainda tentam calibrar qual seria o gesto menos arriscado política e juridicamente. A licença, dizem, oferece a Bacellar uma saída temporária enquanto o cenário não se estabiliza — mas não resolve a disputa pela sucessão na Casa, que continua aberta e cercada de pressões internas.
A avaliação na Alerj é que qualquer passo fora do roteiro institucional pode ser interpretado como afronta direta ao Supremo. Por isso, mesmo aliados históricos admitem que a estratégia de renúncia precisa ser conduzida com extrema cautela. Até lá, a indefinição segue orientando os movimentos no Legislativo fluminense.O presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), assinou nesta quarta-feira o pedido de licença do mandato. O documento, segundo aliados, deve ser publicado em edição extra do Diário Oficial da Alerj ainda hoje e representa, por ora, uma alternativa encontrada por parlamentares próximos para evitar um movimento considerado de "alto risco político": a renúncia imediata à presidência da Casa.
De acordo com deputados que acompanham as negociações, Bacellar foi aconselhado a não renunciar neste momento por receio de que o gesto pudesse provocar uma reação mais dura do ministro Alexandre de Moraes, relator da investigação no Supremo Tribunal Federal (STF) que levou à sua prisão na semana passada. Entre os aliados, a avaliação é que uma mudança abrupta no comando da Alerj — sobretudo se articulada internamente — poderia ser interpretada como tentativa de interferência no curso do processo.
Fonte: O Globo
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