Castro avalia três cenários para decidir se sai ou não do governo antes de julgamento
Enviado Sexta, 13 de Março de 2026.Governador tem duas semanas para decidir se renuncia antes de análise do caso Ceperj ser retomado no TSE
Com o julgamento no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que pode levar à cassação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), marcado para ser retomado no dia 24 de março, o chefe do Executivo trabalha com três cenários para lidar com a situação: continuar trabalhando por pedidos de mais tempo de análise do caso na Corte, permitindo que ele deixe a cadeira dentro do prazo de desincompatibilização para concorrer ao Senado; antecipar a renúncia, se achar que os esforços no tribunal estão sendo em vão; ou até ficar no cargo até o fim do processo.
O plano A de Castro é continuar trabalhando para outros magistrados da Corte também pedirem vista. Assim, o governador conseguiria ficar no cargo até o prazo de desincompatibilização, que se esgota no início de abril, uma semana depois da data em que foi remarcado o julgamento.
A escolha do dia 24 para retomar o julgamento veio de um acordo entre a presidente do tribunal, Cármen Lúcia, e Nunes Marques. Houve um entendimento entre eles de que essa foi a melhor data para que o TSE não fosse acusado de manipular o prazo eleitoral.
No entorno do Castro, há ceticismo de que novos pedidos de vista sejam possíveis. Diante desse cenário, ganha força o plano B de Castro: deixar o Guanabara antes do julgamento ser retomado. Essa possibilidade é defendida por alguns aliados do governador. Mas ele próprio reluta em aceitar tão facilmente esta solução.
Entre os argumentos para Castro renunciar agora é evitar o desgaste de ser cassado em pleno ano eleitoral. Antecipar a saída também significa mais controle no processo de sucessão ao mandato-tampão. O governador renunciando por vontade própria obriga o Estado a convocar eleições indiretas para a gestão transitória até o fim do governo atual, seguindo o que prevê a Constituição estadual. Já se Castro for cassado, de acordo com o Código Eleitoral, haveria então uma eleição direta se a condenação acontecer faltando mais de seis meses para o fim do governo.
Na eleição indireta, a ser realizada na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), o PL teria maior controle sobre o resultado. Mas é também esse ponto que faz Castro não querer renunciar agora. Se fizer isso, na avaliação de aliados, ele perde influência que teria na escolha do candidato ao mandato-tampão.
Há um impasse no PL: Castro quer que seu sucessor nessa gestão transitória seja o secretário da Casa Civil, Nicola Miccione (PL), enquanto o partido quer convencer o governador de que o escolhido precisa ser o secretário de Cidades e pré-candidato ao governo do Estado na eleição de outubro, Douglas Ruas (PL). Internamente, Ruas está mais fortalecido nesta disputa, mas Castro ainda não se deu por vencido e quer ir até o final com a indicação de Miccione.
Esse imbróglio é também o que faz o governador pensar no seu plano C: ficar no cargo até o final, seja do mandato, seja até ser cassado. É a possibilidade mais remota e vista como explosiva pelo entorno do governador. Se fizer isso, ele atrapalharia os planos do PL para a eleição indireta e romperia com os aliados. Mas essa opção, ainda assim, existe devido ao descontentamento de Castro com a sigla.
O chefe do Palácio Guanabara está se sentindo abandonado pelos correligionários por não ter tido nenhum apoio da sigla.
Procurado, Castro não respondeu à reportagem.
Fonte: Valor Econômico
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