Rio muda padrão de gasto entre 1º e 2º bimestres após troca de governo
Enviado Segunda, 08 de Junho de 2026.Estado vê despesas correntes crescerem 15,5% acima da inflação em janeiro e fevereiro e caírem 5,7% em março e abril
Os dados de gastos do Estado do Rio de Janeiro no segundo bimestre do ano mostram uma mudança no desempenho das despesas correntes, aquelas que são usados para pagamento de folha e manutenção da máquina pública.
Dados coletados do relatório resumido de execução orçamentária do Estado pela consultoria Aequus mostram que de janeiro a fevereiro de 2026 as despesas correntes cresceram 15,5% reais. No segundo bimestre a variação foi negativa, com queda de 5,7%, sempre contra igual período de 2025. No mesmo tipo de comparação, o gasto com pessoal e encargos sociais saiu de alta de 6,4% no primeiro bimestre para queda de 0,3% nos dois meses seguintes. As outras despesas correntes foram de alta de 24,5% para redução de 6,7%, respectivamente.
Alberto Borges, economista e sócio da Aequus, lembra que o “estancamento” de gastos veio quase que simultaneamente com a mudança no governo do Rio. Eleito em 2022, o governador Cláudio Castro (PL) renunciou ao cargo em 23 de março, na véspera de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que o tornou inelegível por oito anos´. Castro foi condenado por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022.
Como o ex vice-governador Thiago Pampolha deixou o posto em 2025 para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado do Rio, a linha sucessória seguiria para o deputado estadual Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro. Bacellar, porém, foi cassado na mesma ação de Castro no TSE. Enquanto o Supremo Tribunal Federal não decide sobre a forma que será escolhido o governador para o mandato tampão - até o fim de 2026 -, o desembargador Ricardo Couto, presidente do Tribunal de Justiça do Rio, é atualmente o governador interino do Estado.
A redução de despesas correntes no segundo bimestre de 2026, diz Tomaz Leal, subsecretário do Tesouro do Estado, reflete um ajuste de despesas que tem sido feito com o objetivo de fechar o orçamento de 2026 no azul. A orientação do atual governador, diz, é de revisão de contratos com fornecedores e também de contratos de servidores em cargos comissionados.
Ele lembra que a Lei Orçamentária Anual do Estado foi aprovada com previsão de déficit de R$ 18,9 bilhões em 2026. “A orientação é para colocar as contas do Estado em dia. Os dados do segundo bimestre já são resultado claro da nova gestão”, diz. Tomaz assumiu o cargo de subsecretário do Tesouro a chamado do atual secretário de Fazenda do Rio, Guilherme Mercês, que foi empossado em 29 de abril.
O governo deve continuar buscando a queda de despesas até o fim de 2026, diz Leal, embora o governador também tenha a intenção de conceder aos servidores reajustes salariais de períodos anteriores, numa recomposição que deve acontecer no segundo semestre deste ano. Isso, pondera, está condicionado a algumas premissas, como a entrada do Estado no Propag e também de outras questões. Uma delas, diz, é de que a ação judicial que discute a distribuição de royalties do petróleo no Supremo Tribunal Federal não seja negativa para o Estado.
As receitas de royalties com a alta dos preços do petróleo, em razão da guerra no Oriente Médio, diz Leal, devem ajudar as receitas do Estado este ano. Em 2025, diz, os royalties e participações especiais da commodity somaram R$ 26,3 bilhões. Para este ano, a expectativa é de R$ 31 bilhões.
A entrada no Propag, o programa de refinanciamento da dívida oferecido pela União, também deve ajudar as contas do Estado. A perspectiva atual é de que a entrada no programa, diz Leal, já resulte em redução da despesa com serviço da dívida no decorrer do segundo semestre. Além disso, diz, a Fazenda trabalha atualmente em um plano de ações para elevação de receita e programação orçamentária que deve ser anunciado em breve.
Fonte: Valor Econômico
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