Governo do Rio desiste de ser amicus curiae em ação sobre piso do magistério no STF
Enviado Sexta, 15 de Maio de 2026.O governo do Estado do Rio desistiu de ser amicus curiae no processo que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o Piso Nacional do Magistério. A informação foi dada inicialmente pelo deputado Flávio Serafini, nesta quinta-feira (dia 14), durante audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), e posteriormente confirmada à coluna pela Procuradoria Geral do Estado (PGE-RJ).
A PGE-RJ entrou com pedido na quarta-feira (dia 12). No documento, pedia provimento integral ao Recurso Extraordinário (RE) movido pelo governo de São Paulo, onde ação foi originada, e que fosse fixada a tese que "resguarde a autonomia constitucional dos Estados e Municípios", impondo somente a obrigação de observar o pagamento do piso nacional conforme a legislação, "vedada a repercussão automática dos reajustes realizados pelo MEC [Ministério da Educação], nas demais classes de carreira."
Em seu argumento, a Procuradoria cita um "impacto financeiro de tal julgado [que] implicará em remanejamento de recursos de outras áreas para o custeio de tais servidores, com reflexos no atendimento de outras necessidades básicas da população fluminense".
De acordo com o deputado Serafini, que é presidente da Comissão de Servidores Públicos da Alerj, o governador em exercício afirmou que a autorização para que a PGE-RJ entrasse na ação foi do governo anterior, liderado por Claudio Castro, e disse não concordar com a iniciativa.
Porém, em nota à Coluna, a PGE-RJ disse que "o Estado desistiu de ser amicus curiae na referida ação dada a fase adiantada de julgamento".
Julgamento é retomado nesta sexta
O julgamento virtual do Recurso Extraordinário suspenso em dezembro após o ministro Dias Toffoli pedir vista. Ele será retomado nesta sexta-feira (dia 15) e deverá seguir até a sexta-feira seguinte, dia 22.
Na ação, a Corte analisa se o piso nacional do magistério deve ser adotado como base para o vencimento-básico inicial da carreira, com reflexo nos demais níveis. O piso, hoje no valor de R$ 5.130,63, é pago a professores com jornada de 40 horas semanais.
Hoje, a Secretaria estadual de Educação do Rio (Seeduc) e secretarias de Educação de outros estados pagam um vencimento menor do que o piso e dão um abono para que a remuneração chegue àquela prevista em lei.
Recomposição salarial
A declaração de Serafini ocorre durante uma audiência pública na Alerj, realizada pela comissão da qual é presidente, para debater a recomposição salarial dos servidores estaduais.
A pauta é comum a todos os agentes, de diferentes pastas, que reivindicam não somente os IPCAs de 2023, 2024 e 2025, mas também o pagamento das duas parcelas não pagas da Lei estadual 9.436/2021 (que autorizou a recomposição do acumulado no período de 2017 a 2021).
O deputado, que tem negociado com o governador em exercício, a Casa Civil e a Secretaria de Planejamento e Gestão (Seplag), estima uma perda de 40% na última década, o que compreende as duas parcelas da lei estadual mais os IPCAs não pagos na última década.
Fonte: Extra
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