Grupos de Paes e Ruas reforçam costuras para comando da Alerj
Enviado Quarta, 08 de Abril de 2026.Grupo do ex-prefeito da capital busca unidade, mas esbarra em impasses internos, enquanto PL formula planos para caso Ricardo Couto continue como governador interino.
À espera do julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que vai decidir o modelo da eleição para o mandato-tampão no governo do Rio, aliados do ex-prefeito Eduardo Paes (PSD) e do deputado Douglas Ruas (PL), pré-candidatos ao Palácio Guanabara, têm intensificado as negociações para o comando da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de olho na sucessão do estado. Enquanto o grupo de Paes busca unidade, mas ainda esbarra em impasses internos, o PL de Ruas traça planos para o caso de o STF decidir pela permanência do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto, como governador interino.
À esquerda, as articulações buscam convergência entre PSD e PSOL. A legenda comandada por Paes saiu fortalecida da janela partidária — passando de seis para dez deputados — e tenta viabilizar um nome competitivo para enfrentar o grupo de Ruas em uma disputa na Alerj. Com o apoio de outras siglas, aliados do ex-prefeito calculam contar com 23 parlamentares e ainda tentam avançar sobre votos do Centrão. São necessários 36 votos para eleger um presidente da Casa.
Diante do quadro, atrair o apoio dos cinco deputados do PSOL, que corre por fora com uma candidatura própria, é visto como decisivo. O deputado federal Pedro Paulo, presidente estadual do PSD, diz que a sobrevivência do grupo passa pela construção de unidade diante da atual predominância da direita na Alerj:
— O partido está negociando uma candidatura que tenha expressividade na Casa. Defendemos a unidade dos partidos de esquerda porque temos um adversário em comum, que é o PL e toda a sua máfia.
O PSOL, porém, tem adotado tom mais duro nas negociações e condicionado a adesão a uma frente mais ampla, liderada pelo PSD, a um alinhamento político prévio. O partido quer um nome que defenda o presidente Lula como candidato do bloco.
— A candidatura do PSOL é para contribuir com a unidade da esquerda e do campo progressista. Um nome que defenda o presidente Lula é o mais aceitável dentro do nosso partido — afirma a líder do PSOL na Casa, Renata Souza.
A movimentação ganhou tração após o PSD sinalizar a possibilidade de apoiar para o comando da Casa André Corrêa, recém-filiado à legenda, e Rosenverg Reis (MDB), irmão de Jane Reis, que compõe a chapa de Paes para as eleições de outubro. Deputados do PSOL sinalizam que, entre os cotados, o único nome com viabilidade para ter apoio da bancada é Vitor Júnior (PDT), que mantém interlocução com Paes.
À direita, deputados se articulam para um cenário em que o STF entenda que Couto deve permanecer como interino. A hipótese tem levado o grupo a discutir o lançamento de Guilherme Delaroli para a presidência da Alerj. A estratégia, defendida no PL, se ancora na tese da “continuidade administrativa”. A avaliação é que, como Delaroli já está à frente do Legislativo desde o afastamento de Rodrigo Bacellar, sua efetivação no cargo evitaria rupturas na condução da Casa e reduziria desgastes políticos. Além disso, abriria caminho para que Ruas se dedique à campanha de outubro.
Fonte: O Globo
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