Novo administrador dos fundos que vão operar trens do Rio é citado por TCE no caso Master

Enviado Quinta, 12 de Fevereiro de 2026.

Administrador dos fundos que participaram do leilão para substituir a SuperVia intermediou compra de títulos para o Rioprevidência

A Nova Via Fundo de Investimentos e a Mega Fundo de Investimentos, que integram o consórcio Nova Via Mobilidade, único a apresentar proposta para assumir a gestão dos trens do Rio no lugar da SuperVia, foram criadas nos dias 15 e 22 de janeiro, a poucas semanas do leilão judicial realizado na última terça-feira. De acordo com informações da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), ambas têm o mesmo administrador: a Planner Corretora de Valores.

Recentemente, a Planner ficou em evidência como intermediária da compra de cerca de R$ 510 milhões em Letras Financeiras (LF) do Banco Master pelo Fundo de Previdência do Estado (Rioprevidência). A operação foi considerada irregular em auditorias do Tribunal de Contas do Estado (TCE). Em novembro, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Master devido a uma crise de liquidez e indícios de irregularidades financeiras.

Em um dos relatórios, o TCE apontou que a Planner realizou quatro operações junto ao Master. “A instituição, no entanto, não possui capacidade de emitir tal instrumento financeiro’’, que deve seguir regras determinadas pelo Banco Central, de acordo com voto proferido pela conselheira Marianna Montebello, em maio do ano passado.

Em dezembro, em outro processo relatado pelo conselheiro José Gomes Graciosa, os auditores identificaram que a operação pode ter gerado um prejuízo de quase R$ 20 milhões. Isso porque a corretora teria cobrado uma comissão acima dos valores praticados pelo mercado. Além disso, segundo os técnicos do tribunal, o negócio ocorreu “sem a devida demonstração da motivação que justificasse a adoção de intermediador financeiro”.

A assessoria dos fundos que integram o novo consórcio informou que a Planner vai atuar apenas como administradora e que haverá gestores financeiros responsáveis pela estratégia de investimentos da Nova Via. Pelas regras da CVM, não é necessário identificar os futuros investidores. Sobre o fato de os fundos terem sido criados apenas em janeiro, a Planner justificou a iniciativa afirmando que era necessário conhecer as regras previstas no edital da Secretaria estadual de Transportes antes de criar o consórcio. O governo do estado não respondeu aos questionamentos.

A Nova Via informou que vai subcontratar um grupo português para fazer a operação do sistema ferroviário e uma empresa de engenharia para cuidar da manutenção dos trens.

Fonte: O Globo