CPI da Dívida Pública aprova relatório final
Enviado Sexta, 21 de Outubro de 2022.A CPI da Dívida Pública, da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), aprovou por unanimidade, nesta quinta-feira (20/10), o relatório final após cinco meses de trabalho. O texto, que ainda será submetido à aprovação no Plenário da Casa, aponta que o passivo do Estado do Rio com a União poderia ser reduzido em cerca de R$ 70 bilhões se o índice de atualização aplicado fosse o IPCA sem acréscimo de juros, conforme defendem os integrantes da comissão. Os valores passariam dos atuais R$134,7 bilhões para R$ 63,3 bilhões.
Presidente da CPI, o deputado Luiz Paulo (PSD) destacou que é impossível o pagamento da dívida nos atuais parâmetros, e criticou o tratamento dado pela União aos estados. “Pelas simulações feitas pelo TCE-RJ, o estado do Rio de Janeiro jamais poderá produzir superávit primário para sair desta situação. Mantidas as premissas atuais vamos remar muito e jamais sair do lugar. O IPCA acrescido de juros, por exemplo, é um título bom para investidores. Isto mostra como o estado é visto em sua relação com a União”, afirmou.
Autor do relatório, o deputado Rodrigo Amorim (PTB) enfatizou que o documento foi construído com base em dados, distante de concepções ideológicas: “O relatório é baseado em questões técnicas e científicas. É, sem dúvida, um documento histórico”, disse.
O deputado Waldeck Carneiro (PSB) também criticou a forma como a União se relaciona com outros entes federativos. “A União se permite cobrar juros como se fosse o FMI (Fundo Monetário Internacional) ou outra instituição financeira internacional”, afirmou.
Para a deputada Martha Rocha (PDT), diante dos altos valores já pagos a título de remuneração da dívida, o débito já deveria ser considerado extinto: “O estado do Rio de Janeiro vem pagando uma conta que já foi paga, apesar de todos os erros administrativos que ele cometeu”, declarou.
A deputada Dani Monteiro (Psol) ressaltou quea análise feita pela CPI traz uma nova visão sobre o endividamento do estado. “A CPI buscou desmitificar a visão do estado como perdulário, que gasta muito com seus servidores, o que é discrepante com a realidade do nosso estado. Precisamos refletir sobre a percepção que a Fazenda Nacional tem do Rio. Atualmente, a União figura como um grande agiota. Nosso trabalho também demonstra a necessidade de debater o pacto federativo, buscar um reequilíbrio”, disse.
O relatório descreve os valores apurados pela CPI - com cálculos solicitados à Secretaria de Estado de Fazenda - de acordo com diferentes índices de atualização, o que resultaria em diferentes montantes do passivo. Se considerado o IGPD-I + 6% ao ano, chega-se ao valor de R$ 134,7 bilhões. Quando adotado o IPCA + 4% a.a, o passivo é de R$ 118,1 bilhões. Com a poupança, são R$ 109,4 bilhões e o IPCA sem correção, R$ 63,3 bilhões.
O documento, após aprovado em Plenário, será encaminhado para o Governo do Estado, ao Tribunal de Contas da União (TCU), ao Tribunal de Contas do Estado (TCE), ao Ministério Público do Estado e vários outros órgãos. Entre as propostas estão:
Ao Tesouro Nacional e ao Congresso Nacional - a revisão do critério da União de cobrar juros substanciais sobre a dívida, além da correção monetária;
Ao Governo do Estado - propõe o ajuizamento de ação no Supremo Tribunal Federal (STF) contra a incidência de juros sobre a dívida;
À Alerj - propõe que determine às comissões de Tributação e de Orçamento o acompanhamento das tratativas institucionais futuras.
Fonte: Site Alerj
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