Governo dá início ao processo para cancelar definitivamente inscrição estadual da Refit

Enviado Quarta, 30 de Setembro de 2026.

Empresa, que teve falência decretada há um mês, terá 30 dias úteis para apresentar recurso

O governo do Rio abriu o processo para cancelar de forma definitiva a inscrição estadual da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos. A portaria que instaura o procedimento foi publicada nesta terça-feira no Diário Oficial e dá à empresa 30 dias úteis para apresentar recurso. A medida é mais um capítulo da crise que levou o grupo à falência, decretada pela Justiça do Rio em 31 de agosto à pedido do estado que havia pedido, em julho, que a recuperação judicial do Grupo Manguinhos, controlador da refinaria, fosse convertida em falência com o argumento de que a empresa perdera viabilidade econômica, deixando de cumprir exigências básicas para seguir no processo ao mesmo tempo em que acumulava passivo tributário superior a R$ 25 bilhões.

A Secretaria de Fazenda do Rio afirma que a Refit deixou de cumprir obrigações tributárias e reteve valores de ICMS recolhidos pelo regime de substituição tributária sem repassá-los ao Estado. A empresa também deixou de recolher imposto devido no regime monofásico, embora, segundo a Receita Estadual, tivesse capacidade financeira para fazer os pagamentos.

O procedimento aberto agora poderá resultar no cancelamento definitivo do registro. Se o recurso apresentado pela empresa for rejeitado, a inscrição estadual será cancelada. Com isso, a Refit ficará impedida de reabilitar o registro no cadastro estadual.

A situação cadastral da refinaria já havia sido alterada em maio, quando a Secretaria de Fazenda colocou a inscrição estadual da empresa na condição de "impedida". Em junho, a Refit também perdeu o benefício fiscal que permitia o diferimento do ICMS na importação de combustíveis, pelo qual o imposto é recolhido somente na etapa de venda.

Em agosto, a Agência Nacional do Petróleo (ANP) revogou a autorização para funcionamento da Refinaria de Manguinhos. A decisão foi tomada depois que a Receita Federal suspendeu o CNPJ da empresa, condição que, segundo a agência, é necessária para a manutenção da autorização de uma refinaria.

Poucas semanas depois da decretação da falência, o governo estadual pediu à União que viabilize a desapropriação da área ocupada pela refinaria, de cerca de 600 mil metros quadrados. A intenção anunciada é dar outro destino ao complexo e manter a atividade de refino no local com um novo operador. A participação federal é necessária porque a União detém o domínio direto do terreno.

A Refit também está no centro da Operação Sem Refino, da Polícia Federal, que teve sua segunda fase deflagrada em agosto deste ano. A investigação apura suspeitas de fraude na concessão de licenças ambientais para a Refit, lavagem de dinheiro e outros crimes relacionados ao setor de combustíveis

No Estado, as ações contra a Refit fazem parte de uma ofensiva mais ampla sobre o setor de combustíveis. Desde maio, a Secretaria de Fazenda também impediu as inscrições estaduais de outras empresas do grupo e adotou medidas contra distribuidoras e postos suspeitos de irregularidades fiscais.

Segundo o governo, cerca de 1.700 postos foram notificados para prestar informações fiscais e 20 distribuidoras tiveram as inscrições estaduais impedidas. Entre maio e agosto, a arrecadação de ICMS sobre combustíveis chegou a R$ 2,94 bilhões, ante R$ 1,57 bilhão no mesmo período de 2025, alta de 87%.

Fonte: O Globo