Ricardo Couto diz que estado pretende recuperar dinheiro do Rioprevidência
Enviado Quinta, 28 de Maio de 2026.Em sua primeira entrevista como governador em exercício do Rio, desembargador revela que vai à Justiça para ressarcir o fundo de pensão e afirma que os eleitores têm que assumir ‘papel de responsabilidade’
Na sua primeira entrevista como governador em exercício do Estado do Rio, o desembargador Ricardo Couto fez um balanço de dois meses de gestão no programa GloboNews Míriam Leitão. À jornalista, falou sobre as 2.700 exonerações de funcionários e a redução no número de secretarias. E disse que o estado está tomando todas as medidas para recuperar o dinheiro do Rioprevidência que foi investido no Banco Master.
— A partir do instante em que o estado faz um investimento em uma instituição que quebra, tem que ter os mecanismos judiciais para buscar esse valor. E o estado está tomando todas as medidas nesse sentido — afirmou o governador em exercício.
Couto explicou ainda que não pretende esperar a delação premiada de Daniel Vorcaro para recuperar os cerca de R$ 3,7 bilhões (segundo a Polícia Federal) investidos pelo fundo de pensão dos aposentados e pensionistas do estado no banco:
— Em um primeiro momento, é ir ao próprio Master e tentar buscar o que foi investido ali e se perdeu. Depois, nós podemos ir àqueles que são investidores do Master. Já está sub judice. Eu tenho muita fé que o estado venha recuperar esses valores.
O governador em exercício revelou ainda que sua ideia era fazer uma transição “sem tocar no governo”. No entanto, o Supremo Tribunal Federal ainda não se posicionou sobre o formato da eleição para o Executivo fluminense após a renúncia do ex-governador Cláudio Castro.
— Não era essa a minha ideia, minha ideia era fazer uma transição sem tocar no governo, permitindo que aqueles que têm a legitimação ou a legitimidade popular pudessem proceder a essas atividades — afirmou ele. — Mas nós estamos com uma certa delonga, e o estado não pode ficar parado. Tenho que fazer a gestão para a população. Não tenho noção de quanto tempo vou ficar.
Em dois meses de governo Couto, 2.700 funcionários já foram exonerados. Além de não haver necessidade “de tantos servidores nomeados e não concursados”, ele diz que também é preciso reduzir o número de secretarias:
— O critério da exoneração é a necessidade efetiva para dar a prestação que a sociedade espera. O Estado do Rio possui hoje 32 secretarias, parece-me que é o estado com o maior número de secretarias no país. Para dar um exemplo, São Paulo tem 14. Minas Gerais, que é o estado com o maior número de municípios do país, tem 16. Será que eu preciso de tantas secretarias para fazer gestão? Muitas vezes, um número muito excessivo traz um complicador até para que eu possa conversar com o secretário e tentar chegar à solução de um problema.
O governador em exercício reafirmou que pretende desapropriar o terreno da Refit, em Manguinhos, mas manter a vocação industrial. A empresa é uma das maiores devedoras do estado:
— A ideia é expropriar e transformar aquela área num polo industrial, que já é. E nós temos vários interessados. Até a própria Petrobras manifesta, ou manifestou em data relativamente recente, interesse.
Comentando as operações recentes da Polícia Federal contra o ex-governador Cláudio Castro, Couto afirmou que a “anunciada tragédia do Rio de Janeiro” tem a ver com “escolhas inadequadas”:
— Eu acho que os eleitores têm que assumir um papel de responsabilidade muito grande no processo eleitoral. Os eleitores têm que saber exatamente aquilo que desejam. É uma questão muito complexa porque isso envolve educação do eleitorado, envolve como o eleitorado obtém informação, envolve como nós podemos controlar as fake news.
O governador em exercício analisou também a segurança pública e a ocupação de territórios por grupos criminosos:
— Como a gente vai para resolver essa questão? Eu acho que esse é o grande problema que o Estado brasileiro vai enfrentar. Não adianta o aparato de segurança do estado, a Polícia Militar entrar nessa comunidade se ela não está urbanizada, se nós não temos outros tipos de entrega nessa comunidade. O poder público tem que entrar.
‘Quase um ser humano’
Durante a entrevista, Couto descreveu ainda um diálogo que teve com um político “que ocupa um escalão alto”, no qual ouviu uma frase que o deixou “um pouco estarrecido”.
— Ele disse o seguinte: o político em época eleitoral é quase um ser humano porque a briga por ser reeleito faz com que ele tente de tudo. E essa é uma questão para a gente também pensar. O que leva uma pessoa a se lançar a uma reeleição fazendo de tudo? — questiona o desembargador. — Quero deixar bem claro aqui que nós temos os grandes políticos, aqueles que seguem a linha adequada, mas alguns não. Então, muitas vezes, o político faz uma ponderação de valor. “Se eu entrar naquela comunidade para urbanizar, eu vou ter que tirar um pedaço daquela população para depois trazer. Mas quando eu tiro, eu crio um constrangimento e essa pessoa pode deixar de votar em mim”. Quando o político começa a fazer essa ponderação, ele deixa de agir como teria que agir.
Fonte: O Globo - Coluna Míriam Leitão
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