Servidores estaduais vão às ruas para cobrar recomposição salarial atrasada

Enviado Quinta, 19 de Março de 2026.

Professores, bombeiros militares, técnicos administrativos, enfermeiros. Servidores de diferentes categorias se reuniram nesta quarta-feira (dia 18), em frente ao Palácio Guanabara, sede do governo do estado, para pressionar pela recomposição salarial de 2024 e 2025, além do pagamento das duas parcelas restantes da Lei Estadual 9.436/2021 (acumulado no período de 2017 a 2021).

A manifestação foi convocada pelo Fórum Permanente de Servidores Públicos do Estado do Rio de Janeiro (Fosperj) e o movimento Recomposição Salarial Já, reunindo diferentes setores sob a mesma bandeira. Ela ocorre em conjunto à paralisação de 24 horas dos serviços, que teve início à meia-noite desta quarta-feira.

— Nossa lei foi aprovada antes da adesão ao segundo Regime [de Recuperação Fiscal]. Portanto, não há legitimidade, não há irregularidade e não há que se falar em punição — afirmou Roberto Carlos Teixeira, da coordenação do Fosperj: — Não estamos aqui para extorquir ninguém. Só queremos aquilo que é justo e devido para nós.

Já são mais de 1.615 dias sem o pagamento das duas parcelas da lei, afirma o movimento Recomposição Salarial Já. A norma previa o depósito em três parcelas: uma de 50% do total devido e outras duas de 25%. Em 2022, o Executivo pagou o percentual de 13%. Mas as outras duas parcelas, no valor de 6,55% não foram quitadas.

Além disso, a última recomposição salarial ocorreu em 2023, no valor de 5,9%, após sanção da Lei 9.952/2023 (e não deve ser confundida com as parcelas pendentes). O Orçamento do estado aprovado para 2026 autoriza o Poder executivo a pagar as parcelas e recomposição, mas, até o momento, nenhum índice foi anunciado.

— Esse ato é fundamental para a sobrevivência do serviço público do Rio de Janeiro. O governo Cláudio Castro, durante todo o seu período, estrangulou financeiramente o serviço público e achatou o salário dos servidores. A gente precisa ter investimento para atender a sociedade fluminense com qualidade — afirmou o professor Gregory Magalhães Costa, presidente da Associação dos Docentes da Universidade do Estado do Rio (Asduerj).

As lideranças do Fosperj e da Asduerj encaminharam um ofício à Casa Civil e ao governador solicitando uma audiência especial nesta quarta-feira, como forma de dar concretude à mobilização. Elas afirmam, porém, que até o momento não receberam uma resposta.

Além de agentes e lideranças sindicais, também estiveram presentes alguns deputados da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), como as deputadas Dani Balbi (PCdoB) e Renata Souza (Psol). O presidente da Comissão dos Servidores da Alerj, Flavio Serafini (Psol), não compareceu devido à uma questão de saúde.

A coluna procurou o Governo do Estado, mas ainda não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestações.

Os servidores começaram a concentração às 10h no Largo do Machado. Teresa Silva, de 52 anos, bibliotecária da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), contou que a defasagem está pesando no bolso:

— Estamos perdendo poder de compra, de padrão de vida, a cada ano que passa. Cada vez mais a gente tem que cortar alguma coisa para poder caber no orçamento.

Já a técnica de enfermagem da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) Mônica Bernardes, de 64 anos, teme a saída do governador do poder sem o pagamento das parcelas. Castro tem ambições de concorrer ao Senado e, caso isso se concretize, deverá renunciar ao posto em breve.

— Nós estamos reivindicando a reposição salarial e nosso governador vai sair. Como que fica isso? — questionou a servidora.

Para além da reivindicação da recomposição, o técnico administrativo da Uerj Gabriel Tolstoy, de 39 anos, também vê o ato como uma oportunidade de mostrar "aos próprios servidores que temos forças" e mandar um recado para um eventual novo governador.

— Hoje marca uma virada. Esse é o único ato que fazemos no Largo do Machado em muitos anos. Acho que pode ser o começo da retomada desse processo de lutas. Quem quer que assuma o governo já vai saber que não pode mexer com funcionalismo de qualquer jeito sem ter reação. Agora, a represa estourou — disse.

Fonte: Extra