Paes articula alternativas para eleição indireta no Rio

Enviado Sexta, 06 de Março de 2026.

O prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes (PSD), trabalha com duas possibilidades diante da eventual vacância do Executivo fluminense, caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie para disputar o Senado. Com a saída do chefe do Palácio Guanabara e sem um vice-governador, o Estado terá que realizar uma eleição indireta para um mandato-tampão de maio, quando deve ocorrer o pleito, até dezembro deste ano.

O nome mais forte para essa disputa é o do secretário estadual de Cidades e único adversário até agora anunciado de Paes na corrida ao Guanabara, Douglas Ruas (PL). Com receio do oponente assumir a gestão transitória e concorrer em outubro com a força da máquina pública, o prefeito carioca traçou dois planos, segundo disseram aliados ao Valor.

A primeira possibilidade é questionar na Justiça as regras da eleição indireta que foram aprovadas recentemente na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A segunda opção é aceitar a candidatura ao mandato-tampão do ex-presidente do Parlamento estadual e atual chefe de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano (PT).

O plano A é a judicialização, e ela já foi aventada por integrantes do PSD assim que as regras da eleição foram aprovadas na Alerj. O principal ponto de questionamento é o prazo de desincompatibilização dos postulantes que ocupem cargos nos Executivos. Pela legislação eleitoral, numa eleição normal, o limite de afastamento é de seis meses antes da votação. A regra aprovada pela Alerj é de 24 horas após a vacância no Executivo.

Como esta é uma eleição suplementar, fora do calendário eleitoral, é possível flexibilizar o prazo. Ainda assim, a questão pode ser levada à Justiça, uma vez que não há um entendimento fechado de como deve ser a desincompatibilização em pleitos desse tipo.

Acontece que, no Supremo Tribunal Federal (STF), para onde o caso deve ir se for judicializado, alguns ministros já estão de acordo com o período de afastamento encurtado, segundo interlocutores do Estado. Assim, o plano A de Paes acaba ficando limitado.

O plano B é Ceciliano, mas o ex-presidente da Alerj também enfrenta obstáculos. Paes e Ceciliano chegaram a trocar farpas públicas no início do ano, mas os dois se reaproximaram na semana passada e almoçaram juntos.

Quem defende o ex-presidente da Alerj afirma que ele ainda mantém um bom trânsito na Casa, o que pode ajudá-lo na eleição indireta. Há ainda o cálculo que, juntando as bancadas da coligação de Paes (PSD e MDB) com as de esquerda (PT, Psol, PCdoB, PSB e PDT), Ceciliano teria já 24 votos no pleito - menos do que os 33 de Ruas, somando apoios do PL, PP e União Brasil. Para se eleger na votação, é necessário o mínimo de 36 votos.

Ceciliano também não conta com o apoio total do PT, que está rachado em torno de seu nome. O presidente estadual do partido, Diego Quaquá, afirma que a sigla ainda não definiu o que fará na eleição indireta. O partido deve ficar alinhado a Paes, pela aliança que tem com o prefeito, mas a agremiação só baterá o martelo se terá ou não candidato depois de discutir o caso internamente.

“Ainda estamos discutindo internamente. Sábado vamos ter uma reunião pra definir isso”, afirma Diego, que, contudo, não descarta lançar Ceciliano.

“Não é algo completamente descartado, mas Ceciliano não é um nome de consenso no PT”, completa o dirigente, afirmando que o PT também poderia indicar um de seus seis deputados estaduais para tentar o mandato-tampão.

Com a ida do presidente Lula (PT) ao Rio nesta sexta-feira (6), Paes e o mandatário devem discutir o cenário do Estado durante a passagem do petista na capital fluminense. Lula participará de três agendas que foram caras ao prefeito carioca em 2024: entrega de moradias na Comunidade do Aço, região de baixa renda na Zona Oeste; inauguração da primeira fase do anel viário e túnel de Campo Grande; e anúncio da instalação do hub internacional no Aeroporto Internacional do Galeão.

No entorno de Paes, há a expectativa de que ele anuncie o que fará no mandato-tampão na segunda-feira (9), no almoço que tem feito semanalmente com aliados. Oficialmente, porém, o prefeito nega que esteja tratando do tema. “Não tenho plano nenhum, até porque o governador ainda não renunciou. Não trato desse assunto até que ele seja uma realidade”, disse Paes.

Fonte: Valor Econômico