Metas fiscais do governo: Alerj alerta para o aumento de despesas no último ano

Enviado Quarta, 25 de Fevereiro de 2026.

Esses gatos foram impulsionados principalmente por investimentos nas áreas de segurança pública, que recebeu um aporte adicional de R$ 1,3 bilhão, educação, saúde e transporte. Secretaria de Fazenda diz que Estado fechou 2025 com saldo em caixa.

A Secretaria Estadual de Fazenda (Sefaz) apresentou em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj), nesta terça-feira (24/02), o balanço orçamentário do 3º quadrimestre de 2025. Diante dos números apresentados, deputados integrantes da Comissão de Orçamento da Casa alertaram para o aumento de despesas no último ano da ordem de 3%, com investimentos em segurança pública, que recebeu um montante adicional de mais de R$ 1 bilhão por conta da elevação de gastos com pessoal e encargos, e em áreas como educação, saúde e transporte. Contudo, a Sefaz informou que o Governo do Estado encerrou 2025 com as metas fiscais previstas na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) cumpridas.

Segundo o secretário de Fazenda, Juliano Pasqual, o Estado terminou o ano com saldo em caixa de R$ 1,3 bilhão. O resultado positivo se deve, principalmente, à entrada de recursos extraordinários relacionados à exploração de petróleo e gás natural, à venda da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae), e à compensação prevista na Lei Complementar 194/2022, que limita a cobrança do ICMS sobre combustíveis, energia elétrica, comunicações e transporte coletivo.

Além disso, o Executivo registrou aumento superior a 6% na arrecadação do ICMS. De acordo com a Sefaz, o crescimento é atribuído ao monitoramento mais rigoroso de grandes contribuintes e ao aprimoramento da gestão de despesas. “Nesse percentual já está descontada a inflação, o que demonstra um avanço efetivo, tanto na arrecadação quanto no acompanhamento das despesas”, afirmou Juliano.

Para o presidente da Comissão de Orçamento, deputado André Corrêa (PP), os resultados apresentados foram satisfatórios, apesar da preocupação da Casa em relação ao déficit orçamentário na ordem de R$ 19 bilhões.

“O governo encerrou o exercício com aumento tanto da receita quanto da despesa, mas o balanço é positivo. Fiquei, inclusive, surpreso com o resultado apresentado. Em 2024, o Estado registrou resultado primário negativo. Isso significa que a arrecadação não era suficiente sequer para cobrir as próprias despesas correntes, desconsiderando o pagamento de juros da dívida. Ou seja, havia um desequilíbrio estrutural entre receita e gasto”, lembrou Corrêa.

Aumento das despesas

Em 2025, foram destinados cerca de R$ 700 milhões a mais para o setor de transporte coletivo - como barcas, trens e metrô - em comparação ao ano anterior.

Para o deputado Luiz Paulo (PSD), os investimentos em transporte são necessários e justificáveis, mas há preocupação com o crescimento de outras despesas. “O governo está com um déficit de quase R$ 19 bilhões. Um eventual descontrole nos gastos com investimentos me preocupa muito. É preciso colocar uma lupa para evitar despesas feitas de forma aleatória. Por exemplo, investir R$ 2 bilhões em câmeras de monitoramento. Embora eu seja favorável, é preciso que isso venha a ser feito de forma comedida”, afirmou o parlamentar.

Em resposta, o secretário disse que o aumento das despesas foi em áreas prioritárias. Ele ainda destacou que em 2026 o desafio será maior, já que o déficit orçamentário projetado é cerca de R$ 4 bilhões superior ao do ano passado.

“Registramos aumento nos investimentos em políticas prioritárias do governador Cláudio Castro. Mas estamos atentos a esse movimento e trabalhando, junto à Secretaria de Planejamento, para racionalizar esses gastos. Nosso objetivo é assegurar previsibilidade orçamentária e evitar a contratação de despesas sem a devida dotação, garantindo responsabilidade fiscal e equilíbrio das contas públicas. O foco permanece o mesmo: melhorar a arrecadação e qualificar cada vez mais a gestão do gasto público”, concluiu Pasqual.

Pagamento da dívida

O secretário também informou que o Executivo mantém esforço para honrar o pagamento da dívida com a União. Até o fim de 2025, o Estado desembolsou R$ 4,4 bilhões. Ele destacou ainda que a redução no serviço da dívida junto à União decorre de uma liminar que fixou as parcelas anuais em cerca de R$ 4,9 bilhões. Também estiveram presentes na reunião os deputados Vinicius Cozzolino (União), Carlos Macedo (Republicanos) e Célia Jordão (PL).

Fonte: Alerj