Bacellar, presidente afastado da Alerj, entra com nova licença e só retorna à Casa depois do carnaval
Enviado Quarta, 04 de Fevereiro de 2026.Parlamentar, que no ano passado havia emendado uma licença de dez dias com o recesso, não apareceu na abertura oficial do ano legislativo de 2026
A retomada dos trabalhos na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) foi marcada por discurso enfático do desembargador Ricardo Couto, hoje governador interino do estado, e por movimento surpreendente de Rodrigo Bacellar (União): o presidente afastado da Casa, que no ano passado havia emendado uma licença de dez dias com o recesso, não apareceu na abertura oficial do ano legislativo de 2026 e pediu nova autorização de ausência, agora de nove dias.
Com a manobra, o parlamentar — que mantém o mandato, mas segue impedido de comandar a Alerj por determinação do STF — aumenta o suspense entre seus pares sobre uma possível renúncia ao cargo.
Cláudio Castro só deve retornar de viagem no dia 7. Ricardo Couto, presidente do TJRJ e ocupante atual do gabinete mais importante do Palácio Guanabara, subiu ontem à tribuna para proferir um discurso que soou como cobrança direta aos parlamentares. Anunciou que não entregaria as mensagens dos projetos do governo para este ano, tarefa que, segundo ele, deve caber ao governador Cláudio Castro em seu retorno.
— Conversando com o governador, me parece mais oportuno que ele próprio encaminhe essa mensagem. Não falarei do plano de governo neste instante — afirmou o magistrado.
Couto, em seguida, fez um alerta direto sobre o “jogo político” em relação à sucessão do governador, assunto predominante entre os deputados. O tom de advertência subiu quando o desembargador mencionou a responsabilidade da Alerj na condução do estado. Ele fez um apelo para que interesses partidários e articulações em torno de um eventual mandato-tampão não paralisem a administração pública.
— É um pedido que faço como cidadão: tenham a seriedade pelo momento que está por vir. É tempo em que o jogo político não pode acarretar prejuízos para o poder público — declarou, diante do plenário dividido entre silêncio e sussurros.
Além de Bacellar, chamaram a atenção na sessão de abertura as ausências de Rodrigo Amorim (União), presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), e de Nicola Miccione, secretário da Casa Civil e principal articulador político do governo.
O presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli (PL), falou sobre segurança pública e a necessidade de convivência democrática. Nos corredores, porém, as conversas sobre os rumos do mandato-tampão e o destino de Bacellar seguem como as pautas principais de um estado à espera de definições.
Fonte: O Globo
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