Rombo da Rioprevidência é 500 vezes maior que perdas de fundo com o Master
Enviado Sexta, 30 de Janeiro de 2026.Operação policial na Rioprevidência destaca um problema maior: o déficit estrutural da Previdência fluminense, que supera R$ 20 bilhões anuais
Rombo da Rioprevidência é 500 vezes maior que perdas do fundo com o Master
Operação na Rioprevidência destaca um problema maior: o déficit estrutural da Previdência fluminense, que supera R$ 20 bilhões anuais.
O escândalo envolvendo o Banco Master levou a uma operação policial na Rioprevidência, responsável pelas aposentadorias e pensões dos servidores do Estado do Rio de Janeiro. As primeiras estimativas indicam que cerca de R$ 1 bilhão aplicado pela entidade pode estar em risco, a depender do processo de liquidação da instituição financeira.
No Chama o Nery desta semana, o colunista do Estadão Pedro Fernando Nery afirma que, apesar do impacto e do barulho político, o rombo provocado pelo Master o fundo é uma parte de um problema estrutural da previdência fluminense (veja íntegra do programa no vídeo acima).
Segundo ele, o déficit anual da Previdência do Estado do Rio gira em torno de R$ 20 bilhões, valor equivalente, sozinho, à soma dos orçamentos estaduais de saúde e educação. Mais grave ainda é o chamado déficit atuarial, que representa a soma dos desequilíbrios projetados ao longo do tempo.
Nery afirma que, segundo o Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), o passivo atuarial da Previdência do Rio — somando civis e militares — supera R$ 500 bilhões. Em termos práticos, isso significa que, para cada R$ 1 arrecadado em contribuições, o Estado desembolsa quase R$ 4 em benefícios, uma relação muito acima da média nacional e insustentável no longo prazo, sobretudo diante do envelhecimento da população.
A perda de R$ 1 bilhão do Master na Rioprevidência representa quase a metade do total do rombo provocado pelo banco de Daniel Vorcaro em fundos de 18 fundos de pensão de servidores de Estados e municípios, que, juntos, aplicaram cerca de R$ 2 bilhões.
A Polícia Federal e o Banco Central estimam que a fraude no sistema financeiro com as operações do Master chegam a R$ 12,2 bilhões. Já o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) deve ter de desembolsar em torno de R$ 55 bilhões para cobrir os clientes de investimentos oferecidos pelo Master e pelo WillBank, que também foi liquidado.
- Pedro Fernando Nery: Professor de economia do IDP
Fonte: Estadão - Opinião
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