Presidente do Rioprevidência é exonerado após operação da PF que investiga aplicações no Master
Enviado Segunda, 26 de Janeiro de 2026.O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), exonerou nesta sexta-feira (23) o diretor-presidente do Rioprevidência, Deivis Marcon Antunes. A decisão foi publicada em edição extra do Diário Oficial do Estado.
A saída vem após Antunes virar alvo de uma operação da Polícia Federal na manhã desta sexta. A PF investiga suspeitas de operações financeiras irregulares do Rioprevidência junto ao Banco Master.
O Rioprevidência é o fundo de aposentadorias e pensões dos servidores estaduais do Rio de Janeiro.
Antunes foi um dos alvos de busca e apreensão da PF, que também mirou Eucherio Lerner Rodrigues, ex-diretor de investimentos, e Pedro Pinheiro Guerra Leal, ex-gerente de investimentos.
A operação foi intitulada Barco de Papel, e os mandados foram expedidos pela 6ª Vara Federal do Rio de Janeiro.
Segundo a PF, a investigação busca apurar nove operações financeiras realizadas no período de novembro de 2023 a julho de 2024.
A aplicação envolveu aproximadamente R$ 970 milhões de recursos pertencentes ao Rioprevidência em letras financeiras emitidas pelo Master.
A defesa de Antunes confirmou que ele enviou uma carta de demissão para Castro nesta sexta.
No texto encaminhado ao governador, o diretor-presidente afirma que se dedicou integralmente ao fortalecimento do Rioprevidência e que promoveu um "ciclo virtuoso de gestão". Também diz que nunca se eximiu das suas responsabilidades e que se coloca à disposição das autoridades.
"Por fim, enfatizo que repilo tentativas de inquinar como ilegal qualquer ato que pratiquei na gestão do Riopreviência, pois, como disse, sempre agi com espírito público, correção e dentro dos mais elevados preceitos éticos, conduta essa que sempre pautou minha vida profissional nos locais onde trabalhei", acrescentou.
Na residência de Antunes, localizada no bairro de Botafogo, zona sul do Rio, foram apreendidos pen drives, dinheiro em espécie, um veículo blindado de luxo, um relógio e documentos.
Ele não foi encontrado no local, pois havia viajado legalmente para o exterior no dia 15. Segundo o Rioprevidência, o diretor-presidente está de férias, período que já estava programado desde novembro do ano passado.
Formado em direito pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Antunes assumiu a presidência do Rioprevidência em julho de 2023, após indicação de Castro. Foi na gestão dele em que o órgão investiu em fundos liderados pelo grupo Master, em aplicações financeiras sem garantias.
Em nota, Castro confirmou a exoneração de Antunes e disse que o governo estadual instaurou em dezembro um procedimento interno para apurar todos os fatos relativos a investimentos feitos pela autarquia.
A intenção, segundo o governador, é reforçar o "compromisso com a proteção do patrimônio previdenciário do funcionalismo fluminense".
O Rioprevidência disse em nota que "todos os investimentos efetuados pela autarquia observaram rigorosamente a legislação vigente e as normas dos órgãos de controle".
Também declarou que está resguardado por decisão judicial de dezembro que determinou a retenção de R$ 970 milhões, acrescidos de juros e correção monetária, para proteger o patrimônio dos servidores.
"Dessa forma, o investimento já está sendo quitado com a retenção de valores decorrentes dos empréstimos consignados, que seriam repassados ao Banco. Importante ressaltar que, com isso, os recursos estão à disposição do caixa previdenciário e o investimento será liquidado em cerca de dois anos", acrescentou.
O órgão afirmou ainda que está à disposição das autoridades competentes para prestar os esclarecimentos necessários.
Fonte: Folha de S. Paulo
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