Alerj vira palco de disputa antecipada por governo-tampão antes mesmo da renúncia de Cláudio Castro

Enviado Sexta, 09 de Janeiro de 2026.

Mesmo sem anúncio formal do governador sobre a saída para disputar o Senado, grupos políticos aceleram articulações para a eleição indireta

Antes mesmo do retorno do recesso parlamentar, previsto apenas para depois do carnaval, os bastidores da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) já vivem um clima de intensa ebulição política. A proximidade da renúncia do governador Cláudio Castro (PL), que pretende deixar o cargo para disputar uma vaga no Senado ainda em abril, deu início à contagem regressiva para uma eleição indireta que definirá um governador-tampão até o fim do ano.

Diferentes grupos políticos começaram a se movimentar para influenciar o resultado da disputa na Alerj e, sobretudo, para tentar inviabilizar candidaturas consideradas favoritas no momento, como as de Nicola Miccione, chefe da Casa Civil, e de Douglas Ruas, secretário estadual das Cidades. Ambos são nomes ligados ao núcleo político de Castro e ao PL.

Nos bastidores, o secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal, André Ceciliano, que já foi presidente da Alerj, tem intensificado ligações e encontros reservados com deputados estaduais. Ceciliano tem sinalizado interesse em entrar na disputa pela vaga, buscando apoio sobretudo entre parlamentares de esquerda, que já teriam manifestado disposição de manter voto em seu nome caso a candidatura se confirme.

O ex-presidente da Alerj também tem se reunido com frequência com o deputado Chico Machado (SDD). Segundo fontes próximas ao parlamentar, Chico Machado teria, inclusive, se deslocado a Teresópolis mais de uma vez para encontrar Bacellar, para articular movimentos políticos em torno da sucessão no Palácio Guanabara e seu retorno a presidência da Alerj.

A estratégia em curso envolve uma tentativa de convencer Bacellar a retomar as atividades na Assembleia e reverter sua situação no Supremo Tribunal Federal (STF), de forma a reassumir a presidência da Casa antes que a eleição indireta aconteça. A avaliação desse grupo é que, no comando do Legislativo, Bacellar teria condições de conduzir o processo da eleição indireta para governador-tampão e assim influenciar na candidatura de Ceciliano, de quem é muito amigo. Essa articulação vem sendo vista por deputados como a formação de uma chapa informal.

Apesar da movimentação, interlocutores da Alerj avaliam que a composição liderada pelo PL segue mais robusta. O grupo que atua para consolidar uma candidatura governista tem como pilares o deputado federal Dr. Luizinho (PP), o presidente estadual do PL, Altineu Côrtes, o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella (União), Washington Reis e o presidente em exercício da Alerj, Guilherme Delaroli, além do próprio Cláudio Castro.

Esse núcleo trabalha para costurar os apoios necessários e garantir a vitória de Nicola Miccione, nome de confiança do governador e principal aposta do PL, ou de Douglas Ruas, secretário das Cidades, filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, e considerado pupilo político de Altineu Côrtes.

O grau de antecipação das articulações chama atenção até mesmo entre deputados mais experientes. Antes do retorno oficial dos trabalhos legislativos, muitos parlamentares decidiram adiar viagens e compromissos fora do estado para manter uma agenda intensa de reuniões em seus gabinetes e encontros informais, numa tentativa de mapear forças e influenciar o desfecho da sucessão.

A leitura predominante na Casa é que, embora o processo formal da eleição indireta ainda dependa da renúncia oficial de Cláudio Castro, o jogo político já começou — e a disputa pelo comando temporário do governo do estado tende a se intensificar nas próximas semanas.

Fonte: O Globo