Vantagem de Paes para 2026 faz Castro buscar pacto de não agressão e leva Centrão a buscar alternativas
Enviado Quinta, 28 de Agosto de 2025.Movimento ocorre em meio ao enfraquecimento de uma possível candidatura de Rodrigo Bacellar
O enfraquecimento de uma possível candidatura de Rodrigo Bacellar (União) ao governo do estado no ano que vem levou o governador Cláudio Castro (PL) e o Centrão do Rio a recalcular rotas nas últimas semanas. Partidos como União Brasil e PP passaram a especular nomes como forma de aumentar o poder de barganha em futuras negociações com Eduardo Paes (PSD), que aparece com vantagem folgada nas pesquisas, enquanto Castro convidou o prefeito para uma conversa no Palácio Laranjeiras e sugeriu um “pacto de não agressão” até o cenário de 2026 ficar mais nítido.
Na conversa em meados de agosto, que durou horas e foi permeada por informalidade e doses de uísque, a política nacional serviu como desculpa para deixar mais para frente um eventual acordo — que passaria por Paes não se envolver ativamente contra a candidatura de Castro ao Senado e o governador não acionar a máquina para operar contra o candidato ao comando do estado. Fato é que o clima no palácio foi de leveza, em contraste com os meses de ataques mútuos que tiveram a eleição municipal do ano passado como ápice. No período eleitoral, Paes chegou a chamar o governador de “frouxo”.
A eventual candidatura à Presidência do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), poderia fazer com que Paes ficasse mais neutro na disputa nacional, dado que o presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, é um dos principais fiadores de Tarcísio na política. Hoje, o prefeito carioca é um aliado fiel do presidente Lula, mas a associação a ele num estado em que o petista tem 62% de desaprovação, segundo a última pesquisa Quaest, preocupa aliados. Com Tarcísio no jogo, os dois políticos do Rio tenderiam a ficar menos distantes entre si no jogo nacional do que estão hoje.
Rearranjo
O que interessa a Castro é que Paes não se dedique com afinco a uma candidatura ao Senado no ano que vem que possa tirar votos do governador. O prefeito manteria a narrativa de ataques ao governo e de necessidade de mudança na política estadual como mote de campanha, mas sem bater tanto em Castro “na pessoa física”.
Em troca, Paes poderia se beneficiar de um cenário que já é ventilado na política do Rio. Depois que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, viu a ideia de se candidatar ao governo minguar em poucos meses, o Centrão e a direita do estado começaram a cogitar um novo desenho. Nele, partidos como a federação formada por PP e União comporiam com Paes, e o PL lançaria um candidato mais radical apenas para marcar posição na disputa e impulsionar o que realmente importa para a sigla, que é a eleição de dois senadores no berço do bolsonarismo.
Em julho, a newsletter Jogo Político, do GLOBO, mostrou que até caciques do PL do Rio se encontraram com Paes para um café da manhã na Gávea Pequena, residência oficial do prefeito, junto com Dr. Luizinho, presidente regional do PP.
Parte da estratégia dos partidos do Centrão nos últimos dias foi a divulgação, nos bastidores, de que o União vai lançar o prefeito de Belford Roxo, Márcio Canella, como candidato, e de que o PP apostará no ex-presidente do Flamengo Rodolfo Landim.
Há ceticismo quanto à possibilidade real deles estarem nas urnas. Seria mais uma forma de ter o que apresentar a Paes na hora de sentar à mesa no ano que vem e discutir uma eventual aliança. A avaliação é de que hoje as siglas estão de mãos atadas.
Para Paes, conquistar o apoio desses partidos seria fundamental para ampliar o arco de alianças, ganhar mais tempo de propaganda na TV e evitar que a coligação seja composta basicamente por legendas de centro-esquerda, quando se consideram aquelas de maior relevância. Na esfera municipal, esse perfil de aliança foi suficiente para uma reeleição em primeiro turno, mas a disputa estadual funciona sob outra lógica, e é importante para o carioca ter consigo aliados que lhe deem capilaridade na Região Metropolitana e no interior.
Na pesquisa Genial/Quaest da semana passada, o prefeito do Rio aparece com 35% das intenções de voto para governador, mais que todos os outros somados. Entre eles, estão Bacellar, com 9%, e Washington Reis (MDB), que tem 5%.
Fonte: O Globo