Nunes Marques aponta impossibilidade técnica para segundo turno no RJ
Enviado Quinta, 29 de Outubro de 2026.O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que não havia condições técnicas para incluir a eleição para governador do Rio de Janeiro no segundo turno realizado no último domingo (25). A manifestação foi encaminhada ao ministro Cristiano Zanin, relator da ação apresentada pelo PSD para tentar reverter a decisão que declarou Douglas Ruas (PL) eleito no primeiro turno.
Segundo Nunes Marques, as urnas eletrônicas utilizadas na votação presidencial já estavam preparadas e lacradas, sem a previsão de disputa para o governo fluminense. Para realizar uma nova votação, seria necessário gerar novas mídias, carregar novamente os equipamentos e repetir o procedimento de lacração, além de cumprir etapas públicas de fiscalização e auditoria. Na avaliação do presidente do TSE, não havia tempo hábil para concluir essas etapas até a data prevista para o pleito.
Na manifestação, o ministro também ressaltou que a situação eleitoral de Anthony Garotinho (Republicanos) era conhecida durante a campanha. O ex-governador disputou o primeiro turno com o registro indeferido e recebeu 274.411 votos. Após o TSE confirmar a rejeição de sua candidatura e determinar a anulação desses votos, a Justiça Eleitoral refez o cálculo dos percentuais.
Com a retotalização, Douglas Ruas passou de 49,27% para 50,88% dos votos válidos, percentual suficiente para ser declarado eleito sem segundo turno. Eduardo Paes (PSD), que havia recebido 42,76% na apuração inicial, passou a 44,16%.
O PSD contesta a interpretação adotada pela Justiça Eleitoral. Na ação apresentada ao STF, o partido argumenta que os votos destinados a Garotinho deveriam ser considerados na base de cálculo utilizada para definir a necessidade de uma segunda votação, já que o nome do ex-governador constava nas urnas e recebeu a escolha de milhares de eleitores. A legenda sustenta que a exclusão posterior alterou o cenário da disputa e pede a realização do segundo turno.
A manifestação de Nunes Marques trata da impossibilidade técnica de realizar a votação na data prevista, mas não representa, por si só, uma decisão definitiva do STF sobre o mérito da contestação apresentada pelo PSD.
Enquanto a disputa judicial continua, apoiadores de Eduardo Paes criaram uma mobilização digital para defender a realização do segundo turno no estado. O canal de WhatsApp chamado “Exército do Dudu” reunia 244 mil participantes às 20h desta quarta-feira (28), segundo levantamento da reportagem.
O grupo foi inspirado no “Exército do Lula”, canal que ganhou projeção durante a campanha presidencial. A iniciativa busca concentrar apoiadores de Paes em um espaço de divulgação de mensagens, vídeos e informações sobre os desdobramentos da disputa judicial.
A mobilização, no entanto, não altera o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral. Para que a eleição seja reaberta, será necessário que o STF acolha o pedido apresentado pelo PSD ou que haja outra decisão judicial capaz de modificar o desfecho do primeiro turno.
No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, Douglas Ruas recebeu 4.271.199 votos, equivalentes a 49,27% dos votos válidos. Eduardo Paes ficou em segundo lugar, com 3.706.984 votos (42,76%). Garotinho somou 274.411 votos, ou 3,17%.
Em 8 de outubro, o TSE manteve o indeferimento do registro de Garotinho e determinou a anulação de sua votação. A decisão levou à retotalização dos resultados pelo Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que passou a considerar Ruas vencedor no primeiro turno.
O PSD recorreu ao Supremo para tentar garantir a realização de uma segunda votação. O partido sustenta que a exclusão dos votos de Garotinho da base de cálculo compromete a soberania popular.
Fonte: O Dia
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