PF mira Castro em nova fase da operação que investiga Refit por suspeita de fraude em licenças ambientais e lavagem de dinheiro
Enviado Sexta, 14 de Agosto de 2026.STF determinou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão
A Polícia Federal realiza, nesta sexta-feira, a segunda fase da Operação Sem Refino, que investiga a gestão da refinaria Refit. O ex-governador do Rio Cláudio Castro e o ex-secretário estadual de Ambiente são alvo. Ao todo, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou o cumprimento de 16 mandados de busca e apreensão.
Agentes estão em um endereço ligado a Castro em Petrópolis, na Região Serrana do Rio. A polícia também está em um em um condomínio de alto padrão na Barra da Tijuca, Zona Sudoeste da capital, ligado a outro alvo da operação.
Esta fase apura fraude na concessão de licenças ambientais para a refinaria, sem seguir as orientações de órgãos técnicos, além de lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, evasão de divisas, manipulação de mercado e crimes envolvendo a comercialização de combustíveis.
Além de Castro, é alvo de busca e apreensão nesta sexta-feira o ex-secretário estadual do Ambiente e Sustentabilidade do Rio (SEAS), Bernardo Rossi. Como O GLOBO mostrou em junho, a renovação de uma licença de funcionamento da Refit foi dada logo após o ex-governador promover trocas em série na estrutura da gestão ambiental no estado. As mudanças aconteceram na esteira do rompimento político do comandante do Palácio Guanabara com o então vice, Thiago Pampolha, que foi exonerado em março de 2024 da SEAS.
Quem assumiu a secretaria naquele momento foi Bernardo Rossi, um dos aliados mais próximos de Castro. Na época, Rossi negava irregularidades.
Procurado, o advogado Carlo Luchione, responsável pela defesa de Castro, disse que ainda não tem conhecimento de que um endereço do ex-governador tenha sido alvo de buscas.
Castro já havia sido alvo da primeira fase da operação, em maio. Na ocasião, o empresário Ricardo Magro também foi alvo. As investigações apuram possíveis inconsistências relacionadas à operação de refinaria vinculada ao grupo. A Justiça determinou na época o bloqueio de aproximadamente R$ 52 bilhões em ativos financeiros e a suspensão das atividades econômicas das empresas investigadas.
Na representação enviada ao STF em maio, a PF pontuou que “sob a batuta de Cláudio Castro e mediante suas diretrizes, o Estado do Rio de Janeiro direcionou todos os esforços de sua máquina pública” em favor do conglomerado de Ricardo Magro.
Os investigadores afirmaram que, ao mesmo tempo em Cláudio Castro participava de reuniões supostamente destinadas ao combate ao crime organizado, "o então mandatário participava de evento patrocinado pela Refit e se reunia com o líder de uma organização criminosa voltada à dilapidação do erário fluminense".
Segundo a PF, as vantagens à Refit se deram, por exemplo, com uma legislação, assinada por Castro, que foi apelidada de Lei Ricardo Magro. A norma, editada em outubro de 2025 instituiu o Programa Especial de Parcelamento de Créditos Tributários e Não Tributários do Estado do Rio de Janeiro. Foi batizada informalmente com o nome do dono da Refit vez que as "condições nela estabelecidas se amoldavam perfeitamente aos interesses do conglomerado", apontaram os investigadores.
Em nota divulgada na primeira fase, a Refit negou as irregularidades e afirmou que as operações contra o grupo "prejudicam a concorrência no setor de combustíveis e privilegiam a atuação de um cartel".
A Operação Sem Refino integra a chamada ADPF das Favelas, relacionada à atuação de organizações criminosas e suas conexões com agentes públicos no Rio de Janeiro.
Fonte: O Globo
Aumentar textos
Reduzir textos
Contraste