O tabuleiro eleitoral do Rio começa a se desenhar
Enviado Quarta, 22 de Julho de 2026.A corrida pelo Palácio Guanabara começou, de fato. As convenções partidárias dos últimos dias deixaram claro que a eleição para o Governo do Estado promete ser uma das mais imprevisíveis dos últimos anos.
Quem olha apenas as pesquisas pode imaginar uma disputa tranquila. Quem acompanha os bastidores sabe que ainda existe muito jogo pela frente.
O primeiro movimento importante veio do Republicanos, que aprovou por unanimidade o nome do ex-governador Anthony Garotinho como pré-candidato ao Governo do Estado. A decisão será confirmada na convenção estadual do partido, no próximo sábado.
Garotinho talvez seja hoje o candidato mais subestimado da disputa. Enquanto boa parte da classe política praticamente o tirava do tabuleiro, ele foi ocupando um espaço que poucos perceberam. Passou a investir fortemente nas redes sociais, voltou ao debate político diário e passou a fazer denúncias duras envolvendo personagens conhecidos da política fluminense.
Goste-se ou não do estilo, é um fato que sua presença digital cresceu muito nos últimos meses.
Mais do que isso: Garotinho parece ter encontrado um nicho importante. Ele conversa diretamente com parte do eleitorado conservador, especialmente evangélico, que demonstra insatisfação com algumas lideranças tradicionais da extrema-direira fluminense. É justamente nesse espaço que sua candidatura começa a ganhar musculatura.
Do outro lado aparece Eduardo Paes, que teve sua candidatura oficializada pelo PSD nesta segunda-feira. Paes chega como um dos favoritos. Carrega a imagem de gestor, conhece bem a máquina pública e aposta em um estilo político muito próprio: descontraído, direto e com aquele jeito de ‘bom malandro’ que costuma dialogar bem com parte do eleitorado. Mas talvez seu maior desafio esteja justamente fora da capital.
O prefeito sabe que, para chegar forte ao Palácio Guanabara, precisa romper a resistência existente em boa parte do eleitorado de direita do estado, sobretudo no interior e na Baixada Fluminense.
A escolha de Jane Reis (MDB) para a vice parece caminhar exatamente nessa direção. Além do peso político da família Reis em Duque de Caxias, a composição também busca ampliar o diálogo com segmentos conservadores e evangélicos, sem abrir mão do apoio do presidente Lula, que o ajuda, mas o atrapalha ao mesmo tempo. A família Reis também foi alvo da Operação Anáfara, uma investigação da Polícia Federal (PF) e da Controladoria-Geral da União (CGU) que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro e desvio de mais de R$ 563,5 milhões em verbas públicas destinadas à área da saúde no estado do Rio de Janeiro.
Enquanto isso, a chapa de Douglas Ruas (PL), ex-secretário de cidades do governo do estado e filho do prefeito de São Gonçalo, Capitão Nelson, começa a sofrer seus primeiros solavancos antes mesmo da campanha.
Depois da saída de Cláudio Castro da disputa ao Senado, após duas operações da Polícia Federal, agora foi a vez do ex-prefeito de Nova Iguaçu, Rogério Lisboa (PP), deixar a vaga de vice-governador alegando motivos pessoais. A cadeira volta a ficar aberta justamente no momento em que o PL tenta consolidar sua candidatura.
Nos bastidores, também existe expectativa sobre os próximos movimentos envolvendo a disputa ao Senado. Mudanças recentes e investigações que atingem alguns nomes mostram que o desenho apresentado hoje dificilmente será exatamente o mesmo encontrado pelos eleitores em outubro.
A sensação entre políticos experientes é de que o xadrez estadual de 2026 ainda está apenas sendo montado. As primeiras peças já foram colocadas no tabuleiro. Mas quem conhece a política fluminense sabe que muita coisa ainda deve mudar até a campanha ganhar as ruas.
Outras candidaturas colocadas são:
André Marinho (Novo)
William Siri (PSOL)
Bombeiro Rafa (Missão)
Fonte: Cidade de Niterói
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