Wilson Witzel de volta à política do RJ após impeachment
Enviado Segunda, 20 de Julho de 2026.Ex-juiz federal se lançou pré-candidato ao governo e já procurou lideranças do PL da família Bolsonaro no Estado
O ex-governador do Rio de Janeiro Wilson Witzel volta à cena política após sofrer impeachment e ficar cinco anos inelegível. Pré-candidato ao mesmo cargo, agora pelo partido Democrata, o ex-juiz federal eleito na onda bolsonarista em 2018 ensaia uma reaproximação com o ex-presidente Jair Bolsonaro, com quem rompeu em 2019.
Em entrevista à Coluna do Estadão, ele contou já ter feito contato com lideranças do PL do Rio, mas disse que ainda não conversou com o ex-presidente e nem com Flávio Bolsonaro, presidenciável do PL.
Witzel avalia que há um vácuo a ser preenchido na direita fluminense e que ele pode colaborar com a campanha de Flávio. O candidato bolsonarista Douglas Ruas não decola nas sondagens, e não há outro nome forte para enfrentar o ex-prefeito do Rio Eduardo Paes (PSD), que lidera as pesquisas.
“Estou sempre aberto a conversar com o PL. Eu não tenho relação pessoal (com os Bolsonaros), mas uma relação política será bem-vinda”, disse o ex-governador.
“A gente pode ter nossas diferenças, mas acredito que poderia contribuir muito para a candidatura do Flávio. Eu quero ajudar, eu estou à disposição, eu tenho condições de ajudar”, afirmou à Coluna.
Witzel, no entanto, também não decolou nas pesquisas. O ex-juiz aparece em quinto lugar nas intenções de voto, com apenas 3%, além de carregar a segunda maior rejeição do cenário (27,9%), atrás apenas do também ex-governador Anthony Garotinho (42,4%).
Além disso, apesar de ter conquistado 4,6 milhões de votos em 2018, Witzel hoje enfrenta um desconhecimento absoluto. Levantamento da Paraná Pesquisas mostra que 42% dos entrevistados não sabem quem ele é. O pré-candidato, contudo, minimiza o dado.
“O meu nome é difícil, então muita gente me conhece como ‘o governador-juiz’. A população às vezes não associa o nome à pessoa. Acredito que a minha imagem fala mais do que o nome”, justificou.
Candidato de um partido nanico e sem dinheiro para a campanha, Wilson Witzel está fazendo uma vaquinha para arrecadar fundos. Ele diz, entretanto, que a sua campanha “não é cara”.
O distanciamento entre Witzel e Jair Bolsonaro começou no fim de 2019, quando o então governador criticou a gestão federal e anunciou a intenção de disputar a Presidência da República.
O projeto nacional naufragou em 2021, quando ele sofreu o impeachment sob a acusação de comandar um esquema de desvio de verbas na saúde pública fluminense, incluindo recursos que seriam destinados a hospitais de campanha durante a pandemia de Covid-19.
Fonte: Estadão
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