Fim de "taxa das blusinhas" dobra compras em sites ‘gringos’ da noite para o dia

Enviado Sexta, 17 de Julho de 2026.

No primeiro mês sem qualquer resquício da chamada “taxa das blusinhas”, a importação de produtos baratos em sites “gringos” disparou, mostram dados da Receita Federal. Em valores, as importações internacionais somaram R$ 2,6 bilhões em junho, mais que o dobro (alta de 101%) na comparação com o mesmo mês do ano anterior, segundo relatório do BTG Pactual com base nos números oficiais.

Pressionado pelas varejistas nacionais, o governo passou a aplicar um imposto de 20% sobre importações de produtos de até US$ 50 em agosto de 2024. Em ano eleitoral, porém, o Executivo decidiu ceder às críticas dos consumidores e extinguiu a chamada “taxa das blusinhas”. Como a alíquota de 0% começou a valer em 12 de maio, junho foi o primeiro mês “cheio” sem o imposto.

(Sobre essas compras, ainda incide, porém, o ICMS, que é um imposto estadual.)

Na comparação com abril, último mês completo sob a “taxa das blusinhas”, o volume de encomendas avançou 74%.

O BTG admitiu que a notícia é ruim para as varejistas locais, sobretudo quando a Shein está prestes a fazer IPO na China, em uma transação que deve acelerar o apetite do e-commerce asiático de vestuário em seu principal mercado. Mas os analistas do banco enxergam um “copo meio cheio”: enquanto a “taxa das blusinhas” vigorou, as companhias brasileiras de grande porte conseguiram aumentar sua competitividade, sustentam.

“Os varejistas brasileiros estão estruturalmente mais bem posicionados para competir do que estavam nos anos anteriores. Desde a implementação do Remessa Conforme, a maior parte das varejistas listadas em Bolsa fortaleceu suas capacidades logísticas e de distribuição, aumentou sua competitividade em preços, expandiu suas operações de comércio eletrônico, reduziu os prazos de entrega e aprimorou sua proposta de valor, tornando-se mais resiliente à concorrência internacional”, opinaram no relatório.

Fonte: O Globo