PF deflagra 6ª fase da Operação Unha e Carne no Rio
Enviado Terça, 07 de Julho de 2026.Policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense
A Polícia Federal (PF) deflagrou nesta terça-feira (7) a 6ª fase da Operação Unha e Carne, no Rio de Janeiro, visando desarticular organização criminosa, suspeita de utilizar rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio, como plataforma de lavagem de dinheiro, com participação de agentes públicos. Na ação, policiais federais cumprem 19 mandados de busca e apreensão. Os mandados estão sendo cumpridos nos municípios de Niterói, São Gonçalo, Itaboraí, Resende, e na capital fluminense.
O ex-prefeito de Belford Roxo e pré-candidato ao Senado Márcio Canella (União Brasil) e o ex-secretário da Polícia Civil Marcus Amim são alvos de busca e apreensão na operação.
Canella deixou a prefeitura de Belford Roxo no primeiro trimestre para concorrer à eleição deste ano. Em fevereiro, o ex-prefeito foi indicado pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) como postulante ao Senado na chapa do pré-candidato ao governo do grupo, o presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Douglas Ruas (PL).
Já Amim foi secretário na gestão do governador Cláudio Castro (PL), entre outubro de 2023 e setembro de 2024. Quando deixou o governo, Amim assumiu a direção de segurança da Alerj, ficando no cargo até o fim de 2025.
Tanto Canella quanto Amim eram aliados próximos do ex-presidente da Alerj Rodrigo Bacellar (União Brasil), preso em presídio federal por suspeitas de envolvimento com o Comando Vermelho. De acordo com a PF, Bacellar não é alvo de investigação nesta fase da Operação Unha e Carne.
Procurado, Canella ainda não se manifestou. A reportagem ainda não conseguiu contato com Amim.
A suspeita é que o grupo criminoso teria movimentado mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos, conforme Relatório de Inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), enviado à PF sobre o tema.
Também foram autorizadas pela Justiça medidas de sequestro de bens e valores e de suspensão de atividades econômicas de empresas ligadas ao grupo investigado.
A PF informou que, além de crime de organização criminosa, os investigados poderão responder por contratação direta ilegal e lavagem de dinheiro. Outras acusações podem surgir no decorrer das investigações.
A ação de hoje se insere no âmbito da Força-Tarefa Missão Redentor II. Essa é iniciativa coordenada pela Polícia Federal que visa desarticular organizações criminosas atuantes no estado do Rio de Janeiro, em conformidade com as diretrizes estabelecidas pelo Supremo Tribunal Federal na ADPF 635.
A “Operação Unha e Carne” começou em 2025, como uma investigação, conduzida pela PF, com autorização do Supremo Tribunal Federal (STF), focada em desarticular esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro e fraudes no estado do Rio de Janeiro.
Fonte: Valor Econômico
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