Naturgy busca manter concessão de gás no Rio
Enviado Terça, 07 de Julho de 2026.Decisão sobre licitação ou renovação da concessão de gás do Estado do Rio deve ficar para governador eleito em outubro
A Naturgy, multinacional espanhola de energia com atividades nas áreas de gás natural e eletricidade, pretende participar de uma eventual licitação que o governo do Rio venha a fazer para os serviços de gás canalizado no Estado. “Se for esse o caso [a realização da licitação], estaremos presentes”, diz Pedro Larrea, vice-presidente e diretor-geral de redes da Naturgy, responsável pela área internacional de distribuição de gás e eletricidade do grupo.
Larrea diz, porém, que na visão da empresa, a melhor opção seria pela renovação das concessões da CEG e da CEG Rio, distribuidoras de gás canalizado que atendem a capital, a região metropolitana e o interior do Estado. As duas distribuidoras estão sob controle da Naturgy desde 1997 em contratos de concessão válidos por 30 anos, que expiram em julho de 2027.
“Pensamos que é do interesse da cidadania [fluminense] a renovação da concessão”, disse Larrea ao Valor. O argumento se apoia no fato de que, em 28 anos de operação, a CEG e a CEG Rio, que operam sob a marca Naturgy, investiram R$ 12 bilhões, o que levou o Rio a ter o maior nível de gaseificação do Brasil, segundo a companhia. No período, a companhia triplicou as redes de distribuição de 2 mil para mais de 6,6 mil quilômetros. O Rio responde por mais de 20% do consumo nacional de gás natural e por 70% da produção do insumo.
Nas discussões com o governo do Estado, a Naturgy apresentou um plano de investimento de R$ 14 bilhões na hipótese de prorrogação dos contratos de concessão por mais 30 anos. Com isso, seria possível levar gás natural a 22 novos municípios, totalizando mais de 1,2 milhão de usuários adicionais. O plano inclui ainda a construção de 1,7 mil quilômetros de rede de distribuição e a criação de mais de 45 mil empregos.
O interesse na prorrogação foi manifestado oficialmente pela Naturgy ao governo do Estado do Rio em julho de 2024, conforme previsto na Lei estadual 1481/1989, vigente à época da assinatura do contrato de concessão. Apesar do pedido, a renovação não foi adiante até o momento. No ano passado, o governo estadual encomendou um estudo à Fundação Getulio Vagas (FGV) para avaliar se seria mais interessante renovar a concessão ou fazer uma nova licitação. A FGV fez um diagnóstico, mas evitou recomendar uma ou outra opção, como mostrou o Valor em fevereiro de 2026. O trabalho indicou, porém, que a não renovação poderia resultar em indenização de R$ 9,4 bilhões a ser paga pelo Estado.
No mesmo mês, o governo do Rio, à época sob comando de Cláudio Castro, decidiu que o caminho seria o de nova licitação, mais vantajosa para os cofres estaduais. Em março, Castro renunciou e quem assumiu foi o desembargador Ricardo Couto, cuja perspectiva é se manter no cargo até as eleições de outubro, fazendo a transição para o governador eleito.
A atual gestão do Estado se manifestou em nota. “Em relação ao contrato de concessão de distribuição de gás, decidiu-se, com o objetivo de evitar a descontinuidade na prestação destes serviços, priorizar a elaboração de procedimentos administrativos necessários para uma possível licitação ou renovação. A expectativa do governo é de que até dezembro 2026 esta etapa esteja concluída, deixando à disposição do próximo governador eleito os produtos necessários para que seja tomada a decisão mais adequada para a concessão do gás.”
Larrea, da Naturgy, diz que cabe às autoridades decidir sobre o formato da concessão. O papel da empresa, afirma, é explicar as razões segundo as quais entende que o melhor caminho seria o da renovação. “A renovação é legal, legítima, e há precedentes que sustentam essa ideia.” Concessões estaduais de distribuição de gás canalizado têm sido renovadas à medida que se aproximam os prazos de vencimentos dos contratos, diz a Naturgy.
Larrea afirma ainda que, embora a licitação possa ser vista como mais vantajosa para o Estado em termos financeiros a curto prazo, a análise precisa considerar outros fatores. Um deles é se haverá concorrência. Também é importante olhar para a experiência internacional, a qual mostra que, em alguns casos, quem paga outorga elevada pode enfrentar problemas financeiros à frente ou investir menos na concessão.
A discussão passa ainda por outros órgãos do Estado. A agência reguladora, a Agenersa, analisa se a CEG e a CEG Rio cumpriram o que estava previsto nos contratos de concessão originais. A agência disse em nota que “o processo já possui dois votos favoráveis ao reconhecimento do cumprimento dos requisitos para a renovação e dois votos favoráveis ao sobrestamento [suspensão] do processo até a decisão final do Tribunal de Contas do Estado (TCE).”
Em fevereiro, o TCE publicou acórdão determinando que o Estado e a Agenersa se abstenham de fazer aditivos de renovação dos contratos de CEG e CEG Rio até o julgamento do mérito. A Naturgy informou que enviou ao TCE dois pareceres jurídicos emitidos pelos professores Carlos Ari Sundfield e Egon Bockman que atestam a possibilidade jurídica de renovação das concessões.
Fonte: Valor Econômico
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