Comissão da Alerj de contenção de gastos vai propor alterações na Lei Orçamentária anual
Enviado Quarta, 17 de Junho de 2026.A Comissão Especial de Contenção dos Gastos Públicos da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) anunciou, nesta terça-feira (16/06), que vai propor mudanças na Lei Orçamentária Anual (LOA) para tornar o orçamento estadual mais realista e reduzir a necessidade de suplementações e contingenciamentos ao longo da execução financeira. A iniciativa foi anunciada a partir de informações dadas em oitiva do colegiado com o secretário de Planejamento e Gestão do Rio de Janeiro (Seplag), Rafael Abreu.
O presidente da comissão, deputado Jair Bittencourt (PL), destacou que a prática de superestimar gastos e receitas, contando com um posterior contingenciamento das folhas de execução, gera insegurança na realização de políticas públicas e investimentos. “Precisamos de um orçamento mais executável e aderente à realidade financeira do Estado. Vamos propor à Comissão de Orçamento da Casa um texto com esse objetivo”, disse o parlamentar.
Jair Bittencourt também anunciou que o colegiado vai debater a criação de um projeto de lei que amplie a transparência dos contratos, pareceres e dados dos empenhos realizados pelos três poderes do estado, respeitando a Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais (LGPD). “Muitos erros acontecem graças à oportunidade de colocar sigilo nos documentos da administração pública. Precisamos aprimorar a legislação para evitar cenários como o bloqueio de informações a respeito do custo de uma obra, o que não faz sentido”, afirmou.
Convidado a explicar o excesso de suplementações orçamentárias dadas pelo Executivo, Rafael Ventura atribuiu o fato a uma “cultura administrativa” alimentada há mais de duas décadas no Rio de Janeiro. Segundo ele, os responsáveis por pastas e órgãos públicos fixam um planejamento de ações maior do que seu escopo financeiro e, depois, buscam viabilizá-lo.
“As pastas se baseiam na capacidade própria de fazer embargos com a gestão. O orçamento não é fixado a partir do recurso já disponível e isso implica em consequências técnicas, como a suplementação”, explicou o secretário. Por outro lado, ele apontou que algumas dotações extraordinárias são feitas a partir de créditos adicionais decorrentes da rotina da máquina pública.
De acordo com Rafael, a Seplag vem adotando medidas para aperfeiçoar os controles internos. Entre elas está a implantação de um sistema de reserva orçamentária dentro do Sistema Integrado de Administração Financeira (Siafe-Rio), mecanismo que busca evitar a utilização simultânea dos mesmos recursos em diferentes processos.
O secretário ainda informou que é favorável à redução da dependência de remanejamentos e afirmou que a própria secretaria busca aperfeiçoar o planejamento orçamentário. “Não conseguimos mudar uma cultura de 20 anos tão rápido”, ponderou. Segundo ele, a expectativa é que a proposta orçamentária do próximo exercício apresente maior aderência à realidade financeira do Estado.
A reunião também foi acompanhada pelo subsecretário da Seplag, Pablo Villarim Gonçalves, e por integrantes da comissão: Tia Ju (REP), a vice-presidente; Alan Lopes (PL), o relator; e Luiz Paulo (PSD), membro efetivo.
Transparência
Outro tema que mobilizou o debate foi a transparência dos gastos públicos e a classificação de processos administrativos com restrição de acesso. Parlamentares defenderam maior publicidade das informações relacionadas à execução orçamentária e aos contratos firmados pelo poder público.
Alan Lopes (PL) questionou restrições de acesso a processos relacionados a suplementações orçamentárias da gestão de pessoal do Tribunal de Contas do Estado (TCE-RJ), que somam R$ 624 milhões. “Somos fiscais do Poder Executivo e precisamos acessar as informações para fazer nosso trabalho”, comentou o parlamentar. Ele pediu que o secretário da Seplag envie à Alerj um ofício esclarecendo o caso.
A adoção de critérios claros para a escolha de publicidade, sigilo ou bloqueio de informações sobre contratos foi defendida também por Luiz Paulo. “Os controles estatais estão frágeis e com pouca transparência. Vamos buscar por algum processo e nos deparamos com suas partes mais importantes com acesso bloqueado”, disse ele.
Controle de gastos
Durante a reunião, Tia Ju apresentou uma proposta de Lei Complementar para criar o Sistema de Responsabilidade Fiscal por Gatilhos do Estado do Rio de Janeiro (Sifig-RJ). A iniciativa prevê mecanismos automáticos de monitoramento das contas públicas, com diferentes níveis de alerta para despesas de pessoal, suplementações orçamentárias, restos a pagar e aderência entre o orçamento aprovado e sua execução.
O texto, que será debatido pelos membros da comissão, também estabelece medidas obrigatórias de ajuste quando determinados limites forem alcançados, além da realização de audiências públicas e da divulgação periódica de indicadores fiscais. O objetivo é ampliar a previsibilidade orçamentária, fortalecer a transparência e permitir que medidas corretivas sejam adotadas antes do agravamento dos desequilíbrios fiscais.
Prestação de contas
Jair Bittencourt anunciou que a comissão realizará, no dia 25 de junho, às 14h, uma reunião para apresentar um relatório parcial dos trabalhos desenvolvidos pelo colegiado. O encontro contará com a participação do presidente da Alerj, deputado Douglas Ruas (PL), e marcará a primeira prestação de contas do grupo desde sua criação.
Fonte: Alerj
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