Em vídeo, Castro diz que se retira temporariamente das eleições de 2026
Enviado Sexta, 29 de Maio de 2026.Após comunicar ao PL a desistência de concorrer ao Senado, o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro publicou um vídeo para afirmar que está se retirando “temporariamente” das eleições de 2026. Na publicação, o ex-chefe do Palácio Guanabara, que está inelegível por condenação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e é alvo de dois inquéritos da Polícia Federal, diz que focará seus esforços agora em sua defesa.
“Resolvi retirar a minha candidatura ao Senado Federal. E resolvi tirá-la para que eu possa me focar completamente na minha defesa”, afirmou Castro, na publicação.
Castro está inelegível por ter sido condenado por usar verba da Educação para contratar cabos eleitorais para se reeleger na eleição de 2022 — esquema que ficou conhecido como “Caso Ceperj”. Além disso, nas últimas duas semanas, o ex-governador foi duas vezes alvo da PF em apenas 11 dias: primeiro, por suspeitas de usar o governo do Rio para beneficiar a Refit, apontada como uma das maiores devedoras de impostos do Estado e do país; depois, por viabilizar investimentos irregulares do Rioprevidência, fundação previdenciária fluminense, no Banco Master.
Castro tentaria concorrer ao Senado sub judice, enquanto aguarda a análise de todos os recursos de sua condenação no TSE. Agora, conforme o Valor apurou, ele tentará negociar com o PL para que dispute uma cadeira na Câmara dos Deputados. Por isso, no vídeo, o ex-governador afirma que sai “temporariamente” da disputa eleitoral e que não “encerra sua vida política aqui”.
“Eu me retiro temporariamente do pleito eleitoral (...). Eu não encerro minha vida política aqui. Somente dou um passo necessário, com humildade, com tranquilidade e com a certeza de estar fazendo o correto nesse momento tão difícil e de tentativa de acabar com um trabalho lindo que foi feito pelo Rio de Janeiro”, disse Castro.
O clima dentro do PL, no entanto, também não está favorável para que Castro concorra a deputado. Diferentemente do Senado, a disputa à Câmara é proporcional. Isto é, os votos que os candidatos recebem não são deles, mas sim da sigla.
Para Castro concorrer, ele precisa antes reverter a inelegibilidade. Do contrário, corre o risco de ter sua candidatura impugnada depois e os votos que eventualmente receber serem anulados, o que pode afetar diretamente o partido na distribuição das cadeiras na Câmara. Por isso, integrantes da cúpula do PL são resistentes em indicá-lo como candidato à Casa Baixa do Congresso.
No vídeo publicado nas redes, Castro não se aprofundou sobre as acusações que existem contra ele nos casos da Refit e do Banco Master. Ele disse apenas que vive “dias muito difíceis” e que há tentativa de “criminalizar algo que era correto”.
“Muito pior do que a mentira é a meia-verdade. Aquilo que transforma atos que eram corretos em tentativa de criminalizar algo que era correto”, afirmou o ex-governador.
“Eu sou advogado e já analisei sobretudo esses dois processos. Não tenho dúvida que a verdade será esclarecida. Não tenho dúvida que as meias-verdades cairão. Mas para isso eu preciso de tempo”, finalizou.
Fonte: Valor Econômico
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