Governador interino do RJ troca 3 secretários e procurador-geral do Estado

Enviado Quarta, 29 de Abril de 2026.

Mudanças integram a ''faxina'' que Ricardo Couto tem feito no comando do Poder Executivo fluminense

O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, nomeou o economista Guilherme Mercês para comandar a Secretaria estadual de Fazenda. A nomeação foi publicada no Diário Oficial desta quarta-feira (29).

Mercês assume no lugar de Juliano Pasqual e volta à pasta que comandou entre 2020 e 2021, durante a pandemia.

A troca faz parte de uma reforma no primeiro escalão do governo estadual. As mudanças também alcançaram a Secretaria de Planejamento e Gestão, a Procuradoria-Geral do Estado e a Secretaria de Ambiente e Sustentabilidade.

Volta à Fazenda em meio a déficit de R$ 19 bilhões

Guilherme Mercês assume a Fazenda em um cenário fiscal apertado. A Lei Orçamentária Anual aprovada pela Alerj prevê déficit de R$ 19 bilhões para 2026.

O novo secretário elegeu duas frentes como prioridade imediata. A primeira é tentar impedir que o Rio de Janeiro perca receitas dos royalties do petróleo, tema que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A segunda é avançar na entrada do estado no Propag, programa de renegociação de dívidas com o governo federal.

“É possível e vamos trabalhar com a meta de chegar ao fim do ano com as contas positivas”, afirmou Guilherme Mercês.

Primeira passagem terminou em disputa política

A primeira passagem de Mercês pela Fazenda terminou em meio a uma disputa com o então presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Rodrigo Bacellar.

Na época, o secretário havia fechado a usina Canabrava, em Campos dos Goytacazes, ligada ao grupo Refit. A medida desagradou Bacellar, que articulou sua substituição.

Agora, Mercês retorna à secretaria em outro ambiente político, com Ricardo Couto promovendo uma reorganização ampla na máquina estadual desde que assumiu interinamente o Palácio Guanabara.

O currículo do novo secretário

Guilherme Mercês é economista e mestre em economia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Tem formação executiva pelas universidades de Oxford, no Reino Unido, Columbia, nos Estados Unidos, e INSEAD, na França.

Além da passagem anterior pela Secretaria estadual de Fazenda, foi consultor da Fecomércio RJ, diretor e economista-chefe da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) e da Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan).

Também é coautor de dois livros sobre a economia brasileira e já apareceu nos rankings da Bloomberg e da Broadcast entre os economistas com previsões mais precisas sobre a economia do país.

A reforma também atingiu a Secretaria de Estado do Ambiente e Sustentabilidade. O Diário Oficial trouxe a exoneração, a pedido, de Diego Faro.

Faro é vereador licenciado do Rio e próximo do ex-governador Cláudio Castro, de quem é compadre. Os dois também foram parceiros em um grupo de música gospel.

Para o lugar dele, Ricardo Couto nomeou o procurador Rodrigo Tostes de Alencar Mascarenhas.

Planejamento e PGE também mudam de comando

Na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag), Adilson de Faria Maciel também foi exonerado a pedido. O substituto será Rafael Ventura Abreu.

A Seplag é uma das áreas mais estratégicas do governo. A pasta concentra decisões sobre orçamento, gestão administrativa e eficiência da máquina pública.

Na área jurídica, o Diário Oficial confirmou a saída de Renan Miguel Saad do cargo de Procurador-Geral do Estado. Para o lugar dele, foi nomeado Bruno Dubeux.

As mudanças reforçam a tentativa de Ricardo Couto de redesenhar áreas-chave do governo estadual em meio à crise fiscal, à revisão de contratos e à sequência de exonerações que já ultrapassou 800 desligamentos desde março.

Fonte: Diário do Rio