Vídeos e áudios falsos: quase metade dos golpes no Brasil usa inteligência artificial, aponta PF

Enviado Terça, 28 de Abril de 2026.

Utilização de meios digitais para fraudes ganhou escala com adesão de organizações criminosas; saiba como proteger dados bancários

Dados da Polícia Federal apontam que 42,5% das fraudes financeiras no Brasil estão sendo conduzidas com utilização de ferramentas de inteligência artificial. O uso de deepfakes, por exemplo, cresceu 830% entre 2024 e 2025, colocando o País na liderança desse tipo de crime na América Latina. São vídeos e áudios falsos gerados por IA para enganar as vítimas. Segundo a PF, o Brasil já é um dos maiores produtores de malware – programas criados para roubar dados bancários de clientes – do mundo.

Conforme o Ministério da Justiça e da Segurança Pública, houve uma sofisticação da ação criminosa, com o uso de ferramentas avançadas de engenharia social (phishing/vishing/smishing) e a escalada da utilização da inteligência artificial para criação de identidades sintéticas, falsificação de documentos e deepfake.

Já ocorre também a internacionalização das redes criminosas, com a adoção de sofisticados processos de escoamento, distribuição e lavagem de dinheiro criminoso, com o uso de criptoativos, pagamentos de contas de consumo e de arrecadação e ainda de casas de apostas não autorizadas. Isso inclui o aliciamento de colaboradores em instituições financeiras e de terceiros para a habilitação de contas laranjas.

A ousadia das quadrilhas ficou evidente durante a Operação Fake PF, desencadeada este ano para desarticular uma associação criminosa que usava imagens, como brasão e distintivos da Polícia Federal, para aplicar golpes virtuais. Os investigados se passavam por policiais federais e, por meio da internet e de contatos telefônicos, abordavam empresários de diversos segmentos, oferecendo “favorecimentos” em troca de pagamentos destinados a páginas virtuais vinculadas ao esquema. Era comum o emprego de ameaças para a extorsão de valores.

Além da IA, os golpistas usam também o machine learning (aprendizado de máquina) para automatizar os ataques e dar aparência real às fraudes. Dados da Serasa Experian apontam que o Brasil registra média de uma tentativa de fraude digital a cada 2,2 segundos. Em todo o ano passado, foram cerca de 14 milhões de tentativas de fraude, segundo projeção da datatech – até setembro o número estava consolidado próximo de 11 milhões de ocorrências.

Nas deepfakes de vídeo e imagem, os criminosos criam vídeos de figuras públicas, influenciadores ou pessoas comuns para endossar produtos falsos e solicitar doações, muitas vezes concorrendo a prêmios inexistentes. Além de trocar rostos, os softwares avançados conseguem sincronizar movimentos labiais para reproduzir a fala com precisão.

Através da IA, os criminosos podem replicar a voz de familiares, usando o recurso em ligações para solicitar transferências urgentes via Pix, explorando o fator emocional – o familiar se envolveu em acidente ou foi vítima de sequestro relâmpago. Para a imitação, as vozes são captadas em postagens de redes sociais.

A inteligência artificial é usada também para criar documentos falsos realistas, como CNHs, comprovantes bancários e de residência, facilitando a abertura de contas fictícias e a tomada de empréstimos em nome das vítimas.

Para a prática do phishing ou engenharia social, os criminosos usam modelos de linguagem de grande escala (LLM) que eliminam erros gramaticais e gírias, criando mensagens altamente persuasivas e personalizadas para crimes de engenharia social – a manipulação psicológica de pessoas para que repassem dados confidenciais ou transfiram dinheiro.

Fonte: Estadão