Eduardo Paes articula alternativas para eleição indireta no Rio
Enviado Segunda, 09 de Março de 2026.Prefeito busca nomes para tentar bater adversário em votação na Alerj que escolherá substituto de Cláudio Castro caso governador deixe o cargo
O prefeito do Rio de Janeiro e pré-candidato ao governo estadual, Eduardo Paes (PSD), trabalha com duas possibilidades diante da eventual vacância do Executivo fluminense, caso o governador Cláudio Castro (PL) renuncie para disputar o Senado. Com a saída do chefe do Palácio Guanabara e sem um vice-governador, o Estado terá que realizar uma eleição indireta para um mandato-tampão de maio, quando deve ocorrer o pleito, até dezembro deste ano.
O nome mais forte para essa disputa é o do secretário estadual de Cidades e único adversário até agora anunciado de Paes na corrida ao Guanabara, Douglas Ruas (PL). Com receio do oponente assumir a gestão transitória e concorrer em outubro com a força da máquina pública, o prefeito carioca traçou dois planos, segundo disseram aliados ao Valor.
A primeira possibilidade é questionar na Justiça as regras da eleição indireta que foram aprovadas recentemente na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A segunda opção é aceitar a candidatura ao mandato-tampão do ex-presidente do Parlamento estadual e atual chefe de Assuntos Parlamentares do Planalto, André Ceciliano (PT).
O plano A é a judicialização, e ela já foi aventada por integrantes do PSD assim que as regras da eleição foram aprovadas na Alerj. O principal ponto de questionamento é o prazo de desincompatibilização dos postulantes que ocupem cargos nos Executivos. Pela legislação eleitoral, numa eleição normal, o limite de afastamento é de seis meses antes da votação. A regra aprovada pela Alerj é de 24 horas após a vacância no Executivo.
Como esta é uma eleição suplementar, fora do calendário eleitoral, é possível flexibilizar o prazo. Ainda assim, a questão pode ser levada à Justiça, uma vez que não há um entendimento fechado de como deve ser a desincompatibilização em pleitos desse tipo.
Acontece que, no Supremo Tribunal Federal (STF), para onde o caso deve ir se for judicializado, alguns ministros já estão de acordo com o período de afastamento encurtado, segundo interlocutores do Estado. Assim, o plano A de Paes acaba ficando limitado.
O plano B é Ceciliano, mas o ex-presidente da Alerj também enfrenta obstáculos. Paes e Ceciliano chegaram a trocar farpas públicas no início do ano, mas os dois se reaproximaram na semana passada e almoçaram juntos.
Quem defende o ex-presidente da Alerj afirma que ele ainda mantém um bom trânsito na Casa, o que pode ajudá-lo na eleição indireta. Há ainda o cálculo que, juntando as bancadas da coligação de Paes (PSD e MDB) com as de esquerda (PT, Psol, PCdoB, PSB e PDT), Ceciliano teria já 24 votos no pleito - menos do que os 33 de Ruas, somando apoios do PL, PP e União Brasil. Para se eleger na votação, é necessário o mínimo de 36 votos.
Ceciliano também não conta com o apoio total do PT, que está rachado em torno de seu nome. O presidente estadual do partido, Diego Quaquá, afirma que a sigla ainda não definiu o que fará na eleição indireta. O partido deve ficar alinhado a Paes, pela aliança que tem com o prefeito, mas a agremiação só baterá o martelo se terá ou não candidato depois de discutir o caso internamente.
“Ainda estamos discutindo internamente. Sábado vamos ter uma reunião pra definir isso”, afirma Diego, que, contudo, não descarta lançar Ceciliano.
“Não é algo completamente descartado, mas Ceciliano não é um nome de consenso no PT”, completa o dirigente, afirmando que o PT também poderia indicar um de seus seis deputados estaduais para tentar o mandato-tampão.
Fonte: Valor Econômico
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