IRPF 2026: Isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil pode gerar dívida para quem tem duas fontes de renda

Enviado Quinta, 05 de Fevereiro de 2026.

Ampliação da faixa de isenção do IR em 2026 pode levar contribuintes a pagar mais de R$ 23 mil no ajuste anual, alerta professor de Contabilidade

A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para rendimentos mensais de até R$ 5.000, prevista para 2026, pode criar uma falsa sensação de tranquilidade fiscal para trabalhadores que possuem mais de uma fonte pagadora. Segundo o professor de Contabilidade, Tiago Slavov, contribuintes nessa situação podem ser surpreendidos com uma dívida tributária elevada no momento do ajuste anual, que pode ultrapassar R$ 23 mil.

“O problema surge quando o contribuinte tem duas ou mais fontes de renda, todas individualmente abaixo do teto de isenção. Como não há retenção mensal de IR na fonte, cria-se a impressão de que aquela renda é totalmente isenta, quando, na verdade, no ajuste anual, todos os rendimentos precisam ser somados”, explica Slavov. 

Como funciona a armadilha da “dupla isenção” 

Para ilustrar o risco, o professor apresenta o exemplo hipotético de um professor que trabalha em duas instituições diferentes. Em cada uma delas, recebe R$ 4.900 mensais. Como os valores estão abaixo do limite de isenção, nenhuma das fontes realiza o desconto do Imposto de Renda ao longo do ano. 

“Uma fonte pagadora não tem acesso às informações da outra. Cada uma enxerga apenas o valor que paga e, por isso, não faz a retenção. O contribuinte recebe integralmente esses valores mês a mês”, detalha. 

Impacto no bolso

No entanto, ao final do ano, a soma das rendas mensais chega a R$ 9.800, totalizando R$ 117.600 anuais, sem considerar o 13º salário. A legislação prevê isenção anual apenas até R$ 60 mil. Tudo o que ultrapassa esse limite passa a ser tributado conforme a tabela progressiva.

Considerando o desconto simplificado de 20% (limitado a R$ 16.754,34), a base de cálculo do imposto alcança R$ 124.845,66, o que gera um Imposto de Renda devido de aproximadamente R$ 23.478, após a aplicação da alíquota máxima de 27,5% e das deduções legais. 

O choque financeiro é significativo. “Depois de um ano inteiro sem qualquer desconto de IR, o contribuinte se depara com uma dívida elevada, com vencimento até 31 de maio. Mesmo com a possibilidade de parcelamento em até oito vezes, as prestações ficam próximas de R$ 2.934, valor que pesa no orçamento familiar”, alerta Slavov. 

O professor chama atenção ainda para o tratamento do 13º salário. Como esse rendimento possui tributação exclusiva na fonte, e os valores pagos por cada empregador permanecem abaixo do teto mensal, o contribuinte pode não sofrer desconto algum nesse pagamento. “Isso reforça ainda mais a falsa sensação de isenção ao longo do ano, elevando o risco de endividamento no ajuste anual”, observa.

Para Slavov, o cenário exige atenção e planejamento financeiro. “Quem possui múltiplas fontes de renda deve simular previamente o imposto anual devido e reservar mensalmente um valor para esse pagamento. Isso evita sustos, endividamento e até a necessidade de recorrer a crédito para quitar o imposto”, orienta. 

“A isenção mensal não garante isenção anual. Essa é uma distinção fundamental que precisa ser compreendida pelos contribuintes para evitar surpresas desagradáveis”, conclui.

Fonte: Diário do Rio