Estamos negociando crédito junto à Petrobras para abater dívida com União, diz governador interino do Rio
Enviado Terça, 09 de Junho de 2026.O governador em exercício do Rio de Janeiro, desembargador Ricardo Couto, afirmou nesta segunda-feira (8) que há a possibilidade de usar um crédito de até R$ 20 bilhões devido pela Petrobras ao Estado do Rio para abater a dívida que o governo fluminense tem com a União. As negociações acontecem junto ao governo federal, no âmbito do processo de adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados e do Distrito Federal (Propag).
"Os pontos que nós estamos levando é a perspectiva de termos o reconhecimento de um crédito por parte do governo do Estado junto à Petrobras, [com a] possibilidade de nós usarmos esse crédito junto à União para realizar o pagamento da dívida", afirmou Couto a jornalistas, após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan.
O ex-governador Cláudio Castro havia afirmado que a dívida da Petrobras junto ao governo do Rio seria de R$ 28 bilhões. Contudo, segundo Couto, o valor depositado em juízo é de cerca de R$ 20 bilhões, por isso esse seria o montante considerado na negociação. O valor é referente a dívidas que a Petrobras teria com o governo do Rio relacionadas ao pagamento de ICMS.
O tema está atualmente em litígio, mas há a possibilidade de a Petrobras, o governo federal e o governo do Rio chegarem a um acordo para encerrar a questão. Dessa forma, a dívida que a Petrobras teria com o governo do Rio seria usada para abater a dívida do governo fluminense junto à União.
Couto reforçou que o governo do Rio segue com o cronograma de aderir ao Propag até o fim deste mês de junho. "Estamos vendo exatamente um ou outro ponto para poder fechar, mas o calendário vai ser cumprido, nós estaremos assinando o Propag até o fim do mês", afirmou o governador em exercício.
Além da dívida da Petrobras, outros ativos podem ser usados na renegociação, afirmou o governador em exercício, sem detalhar quais. Hoje, o débito do Rio perante à União é superior a R$ 200 bilhões, segundo o governador. A ideia é chegar em um acordo com o governo federal, de forma a reduzir o valor total da dívida, e pagar o saldo remanescente em três, quatro ou cinco anos.
"Me parece que dará certo uma reprojeção de todo o formato [da dívida], não apenas do montante da dívida, como também da forma de pagamento dessa dívida", pontou Couto.
Ele disse que o ministro da Fazenda, Dario Durigan, se mostrou favorável a discutir os pontos elencados pelo governo do Rio na reunião. "Há uma grande boa vontade por parte da União. A União está vendo o esforço que está sendo feito no âmbito do Estado do Rio de Janeiro, a contenção de despesas que estamos fazendo. Então, tudo se encaminha para uma ótima solução."
Em relação à desapropriação do terreno da Refit, antiga refinaria de Manguinhos, o governador em exercício disse que o tema será tratado junto ao Ministério da Justiça nesta segunda-feira. Como o terreno é de propriedade da União, precisa haver anuência do governo federal para a desapropriação, disse. Conforme mostrou o Valor, a Petrobras tem interesse em ficar com o terreno para expandir a área de refino.
Sobre a Rioprevidência - o regime de previdência dos servidores estaduais -, Couto disse que o governo do Rio está tomando todas as medidas possíveis para resgatar os valores aplicados em títulos do Banco Master.
"Hoje, nós estimamos que o Estado do Rio consiga resgatar cerca de R$ 1,4 bilhão do que despendeu. Parque o Estado do Rio de Janeiro teve um aporte superior a R$ 3 bilhões. Nós estamos com todos os esforços possíveis para resgatar. Nós temos medidas judiciais já postas, temos decisões judiciais favoráveis ao Estado do Rio de Janeiro, o que importa é já termos algumas quantias acauteladas para fazermos frente ao ressarcimento do Estado do Rio."
Fonte: Valor Econômico
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