SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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Rio herda privilégios e responsabilidades

Um estudo feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro (Firjan) projeta investimentos de R$ 211,5 bilhões no Estado entre 2012 e 2014.

Há obras que estão sendo tocadas visando à Copa do Mundo em 2014 ou então os Jogos Olímpicos, em 2016. Entretanto, estimados R$ 107,7 bilhões correspondem aos investimentos da Petrobras na indústria do petróleo. Um valor equivalente a 9,2% do total investido serão destinados à construção de embarcações para atender a logística dos campos petrolíferos.
A construção de centros de pesquisa para atender aos desafios do pré-sal deve absorver mais 0,5%. A capital do Estado ficará com 34,4% do bolo. O Complexo Petroquímico de Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, e o Polo Tecnológico da Ilha do Fundão, na zona norte, são alguns dos empreendimentos que prometem um ciclo de desenvolvimento que a cidade não experimentava desde que deixou de ser capital do país.

"O Rio de Janeiro, que desde a descoberta do pré-sal é a capital mundial do petróleo, logo se tornará também a capital mundial da tecnologia voltada para a indústria petrolífera", afirma Cristiano Prado, gerente de competitividade industrial e investimentos da Firjan.
"Se as previsões para o pré-sal se confirmarem, os impactos serão muito grandes e a cidade terá de tomar cuidado para não repetir o que houve em Macaé, base das operações da Petrobras na Bacia de Campos, que cresceu de forma totalmente desordenada", afirma Alberto Machado Neto, especialista em pré-sal da Fundação Getúlio Vargas.

O pré-sal mal chegou à produção de 200 mil barris diários, apenas 20% do que deverá produzir em quatro anos, mas já começou a modificar o perfil das cidades do litoral de São Paulo ao Espírito Santo. A valorização imobiliária, que fez o metro quadrado de construção no município de Santos saltar 139,6% desde 2007, começa a chegar também à cidade de Angra dos Reis, na costa fluminense. Em compensação, a indústria naval ressurgiu e hoje dá emprego a 62 mil trabalhadores, com expectativa de chegar a 100 mil em quatro anos.

Somente os estaleiros do Rio de Janeiro empregam 30 mil operários. A expectativa é que a implantação na cidade dos centros de pesquisas de multinacionais que atuam no setor petrolífero gere 5 mil vagas de pesquisadores até 2014.
O volume de investimentos justifica o otimismo. De acordo com o estudo "Decisão Rio 2012-2014", feito pela Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que mapeia os recursos anunciados para o Estado e mostra o caminho das oportunidades a empresários e investidores, além do setor de petróleo e gás serão realizadas importantes obras de infraestrutura e de ampliação e fortalecimento da indústria de transformação.
Ao todo são 234 empreendimentos. O petróleo, que representa 20% da economia fluminense e chega a 30% se incluídas as indústrias naval e de bens de capital, responde por mais de 60% dos investimentos que serão aportados até 2014.

O Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), em Itaboraí, na Região Metropolitana do Rio, receberá nos próximos dois anos R$ 5,3 bilhões e deverá gerar mais de 200 mil empregos diretos e indiretos.

Outro R$ 1,5 bilhão vai garantir a construção pelo estaleiro Mauá, de Niterói, na Região Metropolitana do Rio, de 16 navios-tanque para o transporte de derivados de petróleo. Mais R$ 818 milhões serão investidos na construção de seis navios de apoio às operações de E&P e quatro embarcações para o combate ao derramamento de óleo pelo Estaleiro Ilha, na Zona Norte do Rio.

A construção de 15 embarcações de apoio a plataformas e duas especializadas no manuseio de ancoras e suprimento de unidades offshore pelo Grupo Fischer, em Niterói, vai custar R$ 1 bilhão. Também em Niterói, o STX Europe vai construir dois navios de apoio a plataformas ao preço de R$ 141,1 milhões. O custo do investimento na construção de 18 embarcações de bunker e de apoio a plataformas pelo Grupo Brasbunker, em São Gonçalo, também na Região Metropolitana do Rio, será de R$ 364,4 milhões até 2014.

As obras de expansão e modernização da Refinaria de Duque de Caxias (Reduc), na Baixada Fluminense, vão custar R$ 800 milhões. Dos R$ 600 milhões de investimentos previstos em tecnologia e inovação no período 2012-2014, quase a totalidade será destinada ao Parque Tecnológico da Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, onde empresas do porte da francesa Schlumberger e da norte-americana Baker Hughes vão instalar centros de pesquisa para atender os desafios do pré-sal.

"A demanda por desenvolvimento tecnológico é um desafio de dez, quinze anos e ainda nem se sabe com precisão qual será a sua complexidade", afirma Cristiano Prado, da Firjan.
Também não se sabe ainda qual será o investimento da Petrobras na implantação de uma base de operações em Itaguaí para atender o pré-sal. Sabe-se, por enquanto, que ela será maior que a de Macaé, que atende a Bacia de Campos, e que vai criar um novo eixo de desenvolvimento em direção à zona oeste do Rio.Nos próximos cinco a sete anos, a região deve ser invadida pelas empresas que prestam serviços a Petrobras e também por novos negócios que surgem no rastro do crescimento da indústria petrolífera.
"Queremos criar as bases para o desenvolvimento sustentável do pré-sal", afirma o secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Júlio Bueno.
"O Estado do Rio tem olhado com muito cuidado para o ciclo do petróleo. Nosso desafio é olhar além do petróleo", afirma o secretário Júlio Bueno.

25/09/2012

 

 

 

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