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“Pau no gato, sem massagem”

Mais novo integrante do PSD vai logo avisando: ‘Se houver desgaste, vou para outro partido’

O casamento com o PDT acabou, mas ele não está ‘solteiro’. Agora no PSD, o deputado estadual e apresentador de TV Wagner Montes busca liberdade para percorrer o estado e decidir se disputará o governo ou uma vaga no Senado em 2014.
Ele afirma que não faz de seu programa o próprio palanque eleitoral e que trocar de partido não significa abandonar as causas que tem defendido.
Wagner Montes promete não se submeter ao governo só porque o PSD é da base aliada, além de escolher sozinho quem apoiar na próxima eleição.

‘O DIA: O senhor era cotado para a prefeitura, recebeu vários convites para a Baixada Fluminense. Não quis se candidatar?

DEPUTADO ESTADUAL WAGNER MONTES: – O próprio PDT sugeriu que eu saísse candidato em algum município no Grande Rio. Fui chamado por vários partidos para concorrer no Rio de Janeiro e em outros municípios. Mas achei que não era a hora de ser candidato a prefeito. Eu nunca disse que seria candidato. Nunca. Na primeira pesquisa para a prefeitura, ligaram para o PDT, que apresentou três nomes e o meu nome disparou na frente. Dessa vez, pegaram a minha votação, que foi a maior da capital. Quando for candidato a prefeito, ao governo do estado ou ao Senado, eu vou dizer, mas isso lá em 2014.

Mas as pesquisas...
As pesquisas vão apontando. É bom porque estou vendo que o povo pede cada vez mais que eu saia candidato. Tenho me preparado. Não saí da primeira vez porque não tinha capacidade para ser prefeito nem governador. Durante os quatro anos de mandato, fui me aperfeiçoando, estudando, aprendendo, fui me capacitando para o cargo majoritário. Não quero ser um aventureiro, não quero ser mais um prefeito, mais um governador que passou pela história do Rio. Quando eu for candidato, serei o melhor.

A entrada no PSD está no projeto de se preparar?
A entrada no PSD é um desafio muito bom. Tenho toda a possibilidade, a flexibilidade para trabalhar dentro do partido. Vou poder visitar todos os municípios do estado, participar da montagem dos diretórios. Vou viver a vida daquelas pessoas. É mais um projeto de qualificação. Quero chegar lá pronto para fazer um grande mandato.

O que espera do PSD?
Que me tratem com o respeito que mereço como profissional, pela votação que tive. Porque o respeito político é o voto e o voto eu tenho. Espero também conseguir manter a minha independência.

O PSD vai lançar candidatos em várias cidades. Quem o senhor vai apoiar na eleição do ano que vem?
Quem tiver o melhor programa de governo. Quem tiver condição de cumprir. Com esses anos todos, já sei se vai ter condição de fazer ou não. Estou me preparando para quando for candidato a prefeito, ao Senado ou ao governo poder dizer: ‘Vou poder fazer isso e isso. O que o candidato tal está prometendo, não vai poder fazer.’

Já tem os nomes dos que receberão seu apoio?
Não, porque até agora eu não vi nenhum programa de governo de nenhum candidato a prefeito.

Alguém já pediu apoio?
Eles têm direito de pedir. Dar o apoio é direito meu. Vou a qualquer palanque — e vou dizer em público — ‘ele sabe que é o seguinte: Só deve prometer aquilo que puder cumprir. Se não cumprir, vou ser o primeiro a escrachá-lo na televisão e o pau vai cantar em cima dele.’ Jogo muito aberto. Não faço politicagem. Já critiquei algumas vezes a (prefeita) Aparecida Panisset, de São Gonçalo, que é do PDT. Critiquei algumas vezes a (secretária estadual de Administração) Sheila Melo, que é do PDT. Já aplaudi algumas posições da Sheila, da Aparecida... Se fizer bem, não importa. Não faço do programa um palanque político meu. Falo de todos.

Como foi a conversa com o presidente do PDT e ministro do Trabalho e Emprego, Carlos Lupi?
Uma conversa tranquila. Logicamente que o Lupi ficou sentido, como eu também fiquei sentido de sair. Mas era a hora de pensar um novo caminho. Se você vai trabalhar em outro lugar, vai chegar querendo mostrar serviço. É o que está acontecendo comigo, estou com gás novo.

O PDT está numa situação complicada, mas o senhor está saindo pacificamente.
O PDT está bem, tem grandes nomes. Tem a deputada Cidinha Campos, o Paulo Ramos, Luis Martins, que é o líder do partido na Assembleia, e outros nomes importantes que eu acho que vão levar o PDT com muita tranquilidade. O PDT é um partido que tem tradição, história, não se pode falar em política neste País e se omitir o nome de Leonel Brizola.

O PDT tem bandeiras conhecidas, mas o PSD é um partido novo.
Tem a bandeira da sustentabilidade, da geração de empregos, da redução de impostos aqui no Rio de Janeiro, que hoje correspondem a 35% do PIB. É um absurdo! Essas brigas do PSD serão minhas brigas daqui pra frente, mas trazendo comigo também as brigas do PDT. Ou seja, não sou do PSD e esqueci do PDT, estou trazendo o Cieps, a batalha pela educação, pelo trabalhismo e fazendo um aditamento das bandeiras defendidas pelo PSD.

Com a mudança de partido, vai passar a votar com o governo?
Não. Coloquei uma única condição: liberdade total. Eu tenho de votar de acordo com os interesses do povo. Falo para mais de 2,5 milhões de pessoas todos os dias, então, tenho uma responsabilidade muito grande. E vou manter a minha independência. O relacionamento com o partido político é como um relacionamento de homem e mulher. Ninguém vai para um partido pensando em se separar, em deixar o partido um dia. Fiquei dez anos casado com o PDT. Nós nos separamos amigavelmente. O PDT não perdeu suas qualidades. Não perdi as minhas. Ele vai ser feliz e eu vou tentar a minha felicidade também. Amanhã, se houver um desgaste no PSD, vou para outro. É igual a casamento. Não deu certo você vai ficar solteiro a vida toda ou vai brigar para ter um relacionamento estável?

E como fica o governo?
O governo falou bem, disse coisa boa, eu aplaudo. Errou? Pau no gato, sem massagem.

30/10/2011

 

 

 

 

 

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