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Para Garotinho, processo explica foco em Valdemar

Deputado federal mais votado do Rio de Janeiro, o ex-governador Anthony Garotinho saiu em defesa de seu partido e principalmente de seu colega o também deputado federal Valdemar da Costa Neto (PR-SP). Sua tese é de que o próprio governo deu um tiro no pé para proteger os réus do mensalão. Garotinho diz que a intenção do governo é pressionar Valdemar a renunciar e assim evitar que o caso seja julgado no Supremo Tribunal Federal. "A crise não é de combate à corrupção. O objetivo dela é outro: chama-se mensalão".

Dos 37 acusados no processo apenas Valdemar e o deputado petista João Paulo Cunha têm mandato. Na tese de Garotinho, o governo já convenceu Cunha a renunciar para concorrer à Prefeitura de Osasco, em São Paulo. Agora precisa pressionar o deputado do PR também a desistir do cargo. "Assim, o processo do mensalão volta para a primeira instância e, com o tempo, os crimes prescreverão".

Garotinho afirma que Valdemar não vai renunciar e que "a briga do governo com ele não é boa", deixando a entender que o deputado paulista pode também fazer declarações que devem afetar o governo. O deputado do Rio diz que a defesa do colega nada tem a ver com a manutenção do ministério. "O ministério pertencem à presidente".

No entanto, dentro do PR, há quem garanta que o partido não abre mão do cargo e vai lutar até o fim para mantê-lo. A batalha, no entanto, é difícil já que muitos deputados do partido não podem se indispor com o governo federal pois dependem de suas verbas para garantir o eleitorado. Além disso, dentro do próprio partido, não há consenso sobre o nome do novo ministro.
Garotinho afirma que sua opinião é pessoal e não do partido. "Não dependo nem do governo, nem do PR para me reeleger".

Por isso, ataca ainda mais para defender o colega e começa a fazer ilações sobre a possibilidade da presidente Dilma Rousseff conhecer bem o esquema de corrupção dentro do Ministério do Transporte. "Dilma era ministra da Casa Civil no governo Lula, conhecida como a mãe do PAC. Todos os esquemas ocorreram em obras do PAC. Será que ela não sabia?"

Questionado se estaria acusando a presidente de saber dos esquemas do Departamento Nacional de Infraestrutura e Transportes (Dnit), Garotinho diminui o tom. "Não estou acusando, apenas questionando", afirma.

No fim, o ex-governador ainda critica o ministro interino, Paulo Sérgio Bastos. "Ele sempre foi secretário-executivo do ministro Alfredo Nascimento. Daqui a pouco vai dizer também que não sabia de nada", ironiza se referindo ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que, durante todo o escândalo do mensalão, afirmava desconhecer o pagamento a deputados. "Isso é a coisa mais óbvia do mundo. Esse cara era o substituto do ministro".
 

11/07/2011

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