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No Jornal Nacional, Serra poupa Lula, mas critica resultados de seu governo

Em entrevista nesta quarta-feira ao "Jornal Nacional", da Rede Globo, o candidato do PSDB à Presidência, José Serra, poupou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que tem altos índices de popularidade, mas fez duras críticas à atual gestão, atacando principalmente a qualidade da saúde pública e as condições das estradas.
Ao responder a William Bonner sobre o modelo de concessão de rodovias adotado em São Paulo, criticado pela tarifa e pela quantidade de praças de pedágio, Serra disse que existe um meio termo e que o modelo da rodovia Ayrton Senna, por exemplo, poderia ser estendido para todo o país. Disse ainda que as concessões do governo federal não estão funcionando. Segundo ele, a Régis Bittencourt continua sendo a "rodovia da morte" e que a Fernão Dias está fechada.

- De cada dez estradas federais, sete estão esburacadas. São as rodovias da morte: na Bahia, em Minas, Santa Catarina, enfim, por toda parte. O governo federal fez um tipo de concessão que não está funcionando - afirmou Serra. - Nunca o Brasil esteve com estradas tão ruins. De 2003 para cá foram arrecadados 65 bilhões reais na Cide (taxação sobre combustíveis). Sabe quanto foi gasto disso pelo governo federal? 25 (bilhões). Ou seja, foram 40 bilhões de reais arrecadados para investir em estradas do governo federal que não foram utilizados. A primeira coisa que vou fazer é utilizar esses recursos para melhorar as estradas. Não é o assunto de concessão que está na ordem do dia. É entender por que a cada três reais que o governo federal arrecadou, ele gastou um terço disso. É uma barbaridade. Por isso as estradas federais estão nessa situação.

As críticas à gestão da saúde no governo Lula também foram um tema recorrente durante a entrevista de Serra:
- A saúde nos últimos anos não andou bem. Diminuiu o número de cirurgias eletivas, pararam os mutirões, muita prevenção ficou para trás, faltam hospitais, tem problemas de consultas, problemas de demora, problemas relacionados à saúde da mulher.

Questionado sobre o fato de poupar críticas ao presidente Lula, Serra disse que é preciso olhar para o futuro:
- Lula fez coisas positivas, e outras deixou de fazer. A discussão não é Lula. É o que vem pela frente. Lula não é candidato. Quem estiver lá terá de ter condições de conduzir o Brasil. Não se pode governar na garupa, estou focando no futuro. O Brasil precisa e pode mais, na área de saúde, segurança, educação. O foco não é Lula.

Respondendo a Fátima Bernardes por que tem tentado evitar comparações entre os governos Fernando Henrique Cardoso e Lula, Serra argumentou que o atual governo seguiu muitos programas de seu antecessor:
- O governo anterior fez muitas coisas, entre eles o Plano Real, a quebra da espinha da inflação, e várias outras coisas que o governo Lula seguiu. (Antonio) Palocci nunca parou de elogiar Fernando Henrique Cardoso.

Sobre a aliança do PSDB com o PTB de Roberto Jefferson, argumentou:
- O Roberto Jefferson é presidente do PTB. Ele não é candidato. Ele conhece muito bem meu programa de governo. Meu estilo de governar. O PTB está conosco dentro dessa perspectiva. Eu não tenho compromisso com o erro. Aliás, nunca tive na minha vida. - disse Serra. - Agora que está comigo, sabe o jeito que eu trabalho. Por exemplo, eu não faço aquele loteamento de cargos. Para mim, não tem um grupinho de deputados indicando diretor financeiro de uma empresa, ou indicando diretor de compras de outra.

Sobre a demora na escolha de seu vice (o deputado Índio da Costa, do DEM), Serra negou que ela tenha sido resultado de um estilo centralizador, como dizem alguns críticos.

- Eu não sou centralizador, sei que tenho fama, mas delego muito. O Índio estava entre os nomes cogitados. Foi um dos líderes da aprovação da Ficha Limpa no Congresso. Tem livros sobre administração. Se for pegar outros vices, cada um tem suas limitações. É um vice adequado, eu me sinto muito bem com ele. Tenho boa saúde, ninguém está sendo vice comigo achando que não vou concluir o mandato.
 

12/08/2010

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