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"Ninguém escapa ao controle do PMDB"

No Rio, Gabeira critica pressão peemedebista sobre prefeitos; na Baixada, Cabral faz campanha ao lado de aliados do verde

A hegemonia do PMDB no Estado do Rio leva a cenas de traição explícita nas ruas e cria um desconforto para a candidatura de Fernando Gabeira, do PV, ao governo fluminense.
Aliados do verde, como a deputada federal Andreia Zito, do PSDB, fizeram ontem, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, campanha com o governador Sérgio Cabral, que tenta a reeleição pelo PMDB. Gabeira, em campanha na orla de Ipanema, disse que todo mundo orbita em torno de Cabral por causa de um jeito clientelista de fazer política.

Segundo ele, a máquina é tão forte, "o controle é tão poderoso", que as pessoas não conseguem escapar.
O governador fez corpo a corpo, numa feira nordestina, com Andreia Zito, que também disputa a reeleição. A deputada é filha do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito, presidente estadual do PSDB. Ela chegou ao local com Cabral. Políticos tucanos espalharam propaganda do candidato do PSDB à Presidência, José Serra, entre aliados do governador. Mesmo abraçada a Cabral e posando para fotos com ele, Andreia negou ter pedido votos para o peemedebista: - O convite foi de (Jorge) Picciani (candidato ao Senado pelo PMDB). Ele me ligou, avisou que estaria na feira e pediu para eu recebê-lo (Cabral). Foi uma questão de educação e de delicadeza. Não fiz campanha para o Cabral. A amizade com Picciani prevaleceu e não me causou constrangimento.

Já Zito criticou Gabeira e afirmou que não caminhará nas ruas com o verde: - O dia em que Gabeira tiver apenas um candidato a presidente, e esse for o Serra, eu estarei com ele. Enquanto Gabeira apoiar Serra e Marina (Silva, candidata do PV à Presidência) ao mesmo tempo, não ficarei com ele. Não posso deixar de receber o governador na minha cidade e não aceitar os benefícios que o município recebe dele.
Cabral não falou com a imprensa.

No discurso, disse ter o apoio de Zito: - Temos que dizer ao povo de Duque de Caxias que queremos fazer mais. E nós temos aqui uma parceria com a prefeitura, com o prefeito Zito, e nós vamos fazer mais.
Cabral, no entanto, destacou a parceria do governo estadual com o presidente Lula, e pediu votos para a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff: - Trago aqui o abraço daquela que dará continuidade a esse trabalho no Brasil e que será a primeira mulher presidente deste país: Dilma Rousseff.

Não foi só o PSDB que aderiu a Cabral ontem. O candidato a deputado estadual Samuquinha também espalhou sua propaganda na feira nordestina. Samuquinha é do PR, partido do candidato ao governo do Rio, Fernando Peregrino, aliado do ex-governador Anthony Garotinho.

Para Gabeira, candidato ao governo do Rio pelo PV, o domínio que o PMDB exerce sobre os prefeitos do estado se deve a uma política que ele classifica como clientelista. Durante um ato de campanha de militantes do PV na Praia de Ipanema, Gabeira chegou a comparar o domínio do PMDB a regimes de governos totalitários, devido ao controle exercido pela máquina do estado sobre os administradores municipais: - Eu jamais exigiria esse apoio quase unânime. Unanimidade é muito comum em países comunistas antigos, onde a máquina é tão poderosa, o controle é tão grande que ninguém consegue escapar. No Rio, é a política da bica d'água que prevalece.

E ela é um polvo, pois alastra seu controle para outros setores da administração, dando grande poder de influência. O PMDB tem o domínio das máquinas, e, portanto, das prefeituras.
Sobre a presença de Andreia Zito, do PSDB, no ato de campanha de Cabral, ontem, Gabeira desconversou, mas disse que espera a redução de episódios como esse durante a campanha.
Ontem, O GLOBO mostrou que Cabral tem o apoio de 91 dos 92 prefeitos do estado.
Destes, 35 são do PMDB e 38 de partidos aliados.
 

12/07/2010

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