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Manifestantes acampados na frente do prédio de Cabral são retirados do local

Grupo acusa PM de destruir pertencer levados para delegacia. Ator Carlos Vereza presta solidariedade e critica PM: 'Covardia inacreditável'

Cerca de 60 homens, entre policiais do 23º BPM (leblon) e agentes da Secretaria Municipal de Ordem Pública (Seop), destruíram o acampamento de manifestantes do movimento "Ocupa Cabral", no Leblon, Zona Sul da cidade, na madrugada desta terça-feira. O grupo ocupava um trecho da rua onde mora o governador do Rio, Sérgio Cabral, desde 21 de junho. Um dos integrantes foi detido acusado de quebrar o vidro de uma viatura da PM.

A mulher de um dos 14 bombeiros expulsos da corporação após os protestos da categoria em 2012 passou mal e teve que ser medicada. O ator Carlos Vereza esteve na 14ª DP (Leblon) prestando solidariedade aos jovens. Eles devem se reunir ainda nesta terça para decidir se voltam ao local. A Polícia Militar ainda não se pronunciou sobre o caso.

A desocupação aconteceu menos de 24 horas após a divulgação dos números da pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada no jornal 'Folha de S. Paulo desta segunda-feira, revelando a queda acentuada de popularidade de Cabral e do prefeito do Rio, Eduardo Paes, após início da onda de manifestações populares de junho.

À tarde, o secretário estadual de Assistência Social e Direitos Humanos, Zaqueu Teixeira, esteve no local para negociar a retirada do grupo, mas não houve acordo. O "Ocupa Cabral" reivindica uma reunião com o governador para a apresentação de uma pauta de reivindicações nas áreas da Saúde, Educação, Transporte, Segurança Pública e relativas à corrupção.

Segundo a estudante Luiza Dreyer, de 22 anos, cerca de 15 pessoas ocupavam cerca de 10 barracas na Rua Aristides Espíndola, enquanto outros tinham ido em suas residências buscar mantimentos e retornariam pela manhã. Os policiais e os agentes chegaram por volta das 2h, em cerca de 15 viaturas e vans.
Ela contou que todos já estavam dormindo quando foram surpreendidos. Barracas foram destruídas, colchões, mantimentos, cadeiras de praia, isopores, roupas de cama, material de higiene e pertences dos manifestantes foram colocados em vans da Seop e levados para a 14ª DP.

"Houve muita violência dos policiais. Não física, mas psicológica, moral. Vieram em um horário estratégico, quando todos estavam dormindo, de madrugada, chovendo e sem a presença da imprensa. Foram metendo a mão em tudo", relembrou Luiza, garantindo que o grupo não vai desistir de protestar enquanto não houver uma reunião com o governador.

Ela afirmou que o movimento já convocou nas redes sociais os manifestantes e simpatizantes que apóiam a causa. Eles devem se reunir ainda nesta terça-feira para decidir se voltam a ocupar a rua onde mora Cabral.
O ex-sargento do Corpo de Bombeiros, Paulo Nascimento, de 44 anos, afirmou que os policiais disseram que a desocupação do acampamento tinha sido ordenada pelo governador. Ele disse que conseguiu com outro colega evitar uma ação mais violenta da polícia, como a utilização de gás de pimenta. A mulher dele, Josefa Maria, de 33 anos, que o acompanhava, teve um aumento na pressão arterial. Ela foi socorrida por uma ambulância do Samu e medicada na Coordenação de Emergência Regional (CER) Nova Monteiro, no Leblon.

Acusado de depredar viatura paga fiança de R$ 800
"Esse é mais um 'presente' que eu ganho no Dia do Bombeiro", ironizou o ex-sargento, se referindo data comemorativa nacional da categoria, cleebrada nesta terça. Ele foi expulso da corporação em 2012 com mais outros 13 militares, após as manifestações da categoria por aumento de salários e melhoria das condições de trabalho.
De acordo com Raul Lins e Silva, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), que acompanhou a ocorrência na delegacia, o pintor Jair Rodrigues, de 37 anos, foi autuado por dano ao patrimônio. Ele foi acusado de quebrar o vidro de uma viatura da PM. Jair foi liberado após prestar depoimento e de uma 'vaquinha' feita por amigos e simpatizantes para angariar R$ 800, valor estipulado para o pagamento da fiança. A polícia vai ouvir os manifestantes sobre possíveis excessos cometidos pela Polícia Militar.

Vereza: 'Covardia inacreditável'
Surpreendido com a desocupação do acampamento, o ator Carlos Vereza, de 74 anos, esteve na 14ª DP prestando solidariedade aos manifestantes. Ele filmou os pertences do acampamento que foram destruídos e estavam na entrada da delegacia e conversou com os estudantes.
Segundo o ator, ele estava em casa e teve um pressentimento. Ao abrir o computador, ele leu relato dos manifestantes retirados da rua do governador, convocando os simpatizantes do movimento a irem para a delegacia. Vereza contou que há dois dias filmou o acampamento e a ocupação no Leblon. Ele disse ter um vídeo gravado em que PMs são unânimes em dizer que os jovens e o movimento eram pacíficos.
"Foi uma covardia inacreditável. Não justifica. Eles têm o direito de falar com o governador. Ele deve estar abalado por ter caído 20 pontos na pesquisa do Datafolha e mandou fazer isso. É mais fácil encontrá-lo em Paris", provocou Carlos Vereza, que é espírita e interpretou Bezerra de Menezes, no fimle homônimo em 2008. Antes, o ator esteve na rua onde o governador mora. Ele disse que o local parece uma ocupação de guerrilha com a presença da PM.

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