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Lula investe no Rio para derrotar Cesar Maia

A força da parceria política do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB), ainda não foi suficiente para impulsionar as candidaturas de Lindberg Farias (PT) e Jorge Picciani (PMDB) ao Senado. Na última pesquisa Datafolha, divulgada em 16 de agosto, Marcelo Crivella (PR) tem 40% das intenções de voto, César Maia (DEM), 33%, Lindberg, 22%, e Picciani, 14%. No Palácio do Planalto, a ambição é derrotar César Maia. "Por tudo o que o Lula tem feito pelo Estado, a população do Rio vai eleger dois senadores de nossa base de apoio", deseja um ministro próximo ao presidente.

Candidato à reeleição, Crivella disputa a quinta eleição majoritária nos últimos oito anos. Além do Senado em 2002, concorreu ao governo estadual em 2006 e à prefeitura em 2004 e 2008. Tem recall e uma base muito forte na comunidade evangélica, graças à sua ligação com a Igreja Universal do Reino de Deus. Além disso, conta com o apoio pessoal de Lula. Há cerca de um ano, o presidente avisou a Cabral que iria pedir votos para o ex-bispo da Universal. "Ele tem apanhado muito defendendo meu governo e é um aliado fiel", disse Lula ao governador fluminense.

Apesar de ainda estar na liderança, Crivella apresentou uma pequena queda no último levantamento. No Datafolha anterior, aparecia com 42% das intenções de voto, hoje tem 40%. Em julho de 2008, também aparecia à frente das pesquisas para a Prefeitura do Rio, com 26%, 17 pontos percentuais de vantagem sobre o atual prefeito, Eduardo Paes (PMDB). Não foi sequer ao segundo turno. Adversários de Crivella afirmam que o maior empecilho do senador é sua alta rejeição: aproximadamente 42%.

Por via das dúvidas, a coligação PT-PMDB agiu rápido na semana passada para acelerar a desidratação da candidatura Crivella. Apresentou recurso ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio e conseguiu retirar do ar a propaganda eleitoral gratuita na qual Lula pedia votos para o senador. Crivella não escondeu a irritação, alegando que o adversário do grupo é César Maia, do DEM, não ele.

Petistas e pemedebistas não assumem a paternidade da retaliação. A pessoas próximas, Lindberg tem dito que o segundo voto dos eleitores de Crivella poderia ir para ele, por também contar com uma declaração de apoio gravado de Lula, benefício com o qual Picciani não conta até o momento.
Alheio aos conflitos da base lulista, César Maia tenta recuperar seu capital político no Estado. Maia comandou a prefeitura por 12 anos (1993-1996 e 1999-2008), além de ter eleito sucessor Luiz Paulo Conde no período de 1996 a 2000 (Conde rompeu com Maia em 1999). Mas em 2008 não conseguiu fazer o sucessor - Solange Amaral, do DEM, sequer chegou ao segundo turno. Na época, Maia liberou a militância para apoiar Fernando Gabeira (PV) para a prefeitura da capital.

O revés na disputa municipal não é visto pelo DEM como perda de capital político de César Maia e sim, como o desgaste natural de um ciclo que durou 16 anos. Um dos adversários mais criticados por Lula - o PT acusa partidários do ex-prefeito de comandar a vaia ao Presidente da República na abertura dos Jogos Panamericanos de 2007 - Maia aposta no voto do funcionalismo público estadual.
Para o presidente do DEM, Rodrigo Maia (RJ), seu filho, além da gestão como prefeito, esse eleitorado tem na memória o trabalho de César como secretário de Fazenda do governo Brizola, em 1982. Ele classifica uma eleição com dois votos, como essa disputa para o Senado, como a mais perigosa de todas. "Ao escolher um adversário para bater, você corre o risco de não conseguir viabilizar-se como segunda opção do eleitorado", completou.

Atrás nas pesquisas eleitorais, Lindberg e Picciani esperam que a propaganda eleitoral seja suficiente para dar-lhes a visibilidade que não tiveram até o momento. "Você percebe na rua que as coisas estão mudando. Quando as próximas pesquisas forem divulgadas, no fim desta semana, encostaremos nos líderes", anima-se Lindberg.

Caso a estratégia não dê certo, Lindberg sofrerá a segunda derrota em menos de um ano: reeleito prefeito de Nova Iguaçu com a missão de renovar os quadros do PT do Rio, Lindberg queria ser candidato ao governo estadual, mas sucumbiu à força de Cabral. Reclamou de uso da máquina pública pelo então adversário, mas hoje, sem constrangimentos, tornou-se aliado direto. "Eu sou o candidato do Lula, do Cabral e do Paes (Eduardo Paes, prefeito do Rio)", resumiu.

Sem a presença de Lula pedindo votos em sua propaganda e dezenove pontos percentuais atrás do segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto, Picciani inspira-se na arrancada de Paes para a prefeitura em 2008 e espera que seu desempenho como presidente da Assembleia Legislativa do Rio seja suficiente para capitalizar-lhe votos no interior e na capital.

23/08/2010

 

 

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