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Levy diz que maioria das empresas não gosta de pagar impostos no Brasil

Um áudio em inglês divulgado pelo Ministério da Fazenda mostra que a fala do chefe da pasta, Joaquim Levy, sobre a presidente Dilma Rousseff não foi a única declaração polêmica na palestra que ministrou a ex-alunos da Universidade de Chicago, na última terça-feira, em São Paulo. Ao comentar sobre o ajuste fiscal que o governo vem implementando, Levy afirma, em tom de ironia, que as empresas no Brasil não gostam de pagar impostos.

— Vou te contar um pequeno segredo. No Brasil, a maioria das empresas não gosta de pagar impostos (risos). Não é um problema restrito ao Brasil, certo. Não espalhe isso (risos). Elas não querem pagar contribuição previdenciária. Então, há uma grande briga em torno disso. Então, pensamos em como podemos economizar na contribuição previdenciária. Estamos fazendo coisas que não são tirar os direitos (trabalhistas), mas mudar o objetivo de alguns programas — afirmou no ministro durante a palestra.
O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, comentou a declaração em tom irônico, evidenciando o montante pago em impostos no ano passado pelas empresas brasileiras.
“No Brasil as empresas não gostam de pagar impostos? Ano passado, os governos arrecadaram R$ 1 trilhão e 800 bilhões. Imagina se gostassem”, afirmou Skaf, por meio de nota.

A interlocutores, Levy disse nesta segunda-feira que sua declaração de que “no Brasil, a maioria das empresas não gosta de pagar impostos” foi apenas uma observação factual. Ele ficou surpreso com a repercussão da fala e ressaltou que, por trás dela, não houve qualquer insinuação de que, por não gostarem de pagar impostos, as empresas deixam de acertar as contas com a Receita Federal.
— Não houve uma sugestão de que as empresas deixam de pagar impostos. Foi uma observação factual. Não tem nada de errado nisso (em não gostar de pagar impostos) — disse o ministro a assessores.
Levy também ressaltou em conversas internas com seus interlocutores que é preciso alertar a sociedade sobre o cuidado na gestão das contas públicas, pois a criação de novas despesas vai acabar implicando no aumento de impostos. Um dos assuntos que têm preocupado o ministro da Fazenda é justamente a ameaça do Congresso de estender aos benefícios da Previdência Social superiores ao salário mínimo a fórmula de correção do mínimo, que prevê a inflação do ano anterior mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB, soma de bens e serviços produzidos no país) de dois anos antes.

— Já temos uma enorme dificuldade em pagar os benefícios da Previdência Social — alertou Levy aos interlocutores, lembrando que “para não pagar mais impostos, é preciso não passar leis criando novas despesas”.
Durante o encontro a portas fechadas da semana passada com os ex-alunos de Chicago, Levy manteve o tom inf ormal e arrancou risos da plateia em diversos momentos. Ele afirmou que uma de suas principais tarefas é “preparar o Brasil para um novo ciclo de investimento” e admitiu que hoje há menor chance para erro, em comparação com o passado.
— Ainda temos muitas coisas a nosso favor. As coisas serão provavelmente mais difíceis, mas não há motivo para estar em dúvida sobre o que vai acontecer com o Brasil. A implicação na política pública é que não podemos cometer erros. Eu tenho falado aos meus novos amigos no Congresso e em outros lugares: “Gente (risos), nós não temos um problema real, mas podemos ter um se começarmos a cometer erros”.

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