SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

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A lenda tributária

O governo cobra muitos tributos, gasta mal e devolve pouco em serviços

Essa história de Hobin Hood, de tirar dos ricos para dar para os pobres, é uma lenda muito bem aceita por todos. Na sociedade moderna, o que se discute é a eficácia com que isso é feito. O governo tem sido muito eficiente nos últimos anos em cobrar tributos do cidadão e das empresas, mas muito pouco eficaz em usar esse recurso em favor do povo.

O governo cobra muitos tributos, gasta mal e devolve muito pouco em bons serviços ao trabalhador. Na prática, nossa carga tributária, que beira os 37% do PIB, é ainda maior, porque muitos de nós pagamos dobrado.

Ou seja, além de participar através dos impostos, taxas e contribuições, temos que custear privadamente o que o Estado não fornece com qualidade, que é o plano de saúde, a escola particular, a segurança do condomínio e por aí vai nosso suado dinheiro. Nesse sentido, é esdrúxula a proposta de implementar o imposto sobre grandes fortunas. O povo já está vacinado.

A cobrança começa com poucos pagando e, com o tempo, eles mudam o parâmetro. Aí, qualquer um que tenha a sua casa, carro e dinheiro no banco já virou milionário e tem que pagar mais um tributo.

É preciso repensar o Estado e suas obrigações constitucionais e fazer uma reforma tributária urgente. Ninguém aguenta mais pagar tanto imposto nesse país. Nesse contexto a Receita Federal resolveu criar uma delegacia especial para vigiar os grandes contribuintes, a ‘delegacia Hobin Hood’.

Hoje já há um verdadeiro “Big Brother” tributário e cabe à Receita fazer o seu papel. Entretanto, não devemos achar que isso seja necessariamente a justiça fiscal. Seria melhor se o governo fosse mais competente na hora de aplicar os recursos arrecadados e o Congresso aprovasse uma reforma tributária que desonerasse a sociedade.

ARTIGO - 16/07/2010
Gilberto Braga - Professor de Finanças do Ibmec
 

 

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