SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

ÁREA RESTRITA

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Inferno astral

O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), vive um inferno astral. Em todos os sentidos, inclusive familiar. Por muito pouco, deixou de ser um dos passageiros do helicóptero Esquilo de prefixo PR-OMO, que caiu em Porto Seguro (BA) e fez sete vítimas, entre as quais a namorada de seu filho. Os jovens namoravam havia oito anos. Supostamente, o aparelho pertencia ao amigo de Cabral e empresário Marcelo Mattoso de Almeida, que morreu no acidente.

A tragédia tornou públicas as relações pessoais do governador fluminense com o empresário Fernando Cavendish, presidente da Delta Construções, um dos sócios da empresa First Class Group Administração e Participação Ltda., dona do Jacumã Ocean Resort. Esse também era o destino de Cabral, que aguardava o retorno do helicóptero que caiu para nele embarcar com o próprio filho.

Essas relações pessoais com um empresário que tem grandes contratos com o governo fluminense, entre eles a reforma do Maracanã, avaliada em R$ 1 bilhão, serviram de senha para uma ofensiva da oposição contra Cabral. E catalisaram desgastes acumulados e interesses políticos antagônicos. Qualquer avaliação que se faça agora de seu governo deve partir do princípio de que nada será como antes. Nem com os aliados, quem dirá com os adversários.

Solidariedade
Acuado palas críticas da mídia e da oposição, na segunda-feira Cabral quase desistiu de participar da festa de aniversário do matutino carioca O Dia, do qual foi colunista durante muitos anos. A comemoração, porém, acabou se transformando num ato de solidariedade ao governador, a partir da manifestação espontânea do compositor Martinho da Vila (foto), que cantou um samba em louvação ao amigo. A presidente Dilma Rousseff, ao se pronunciar no encerramento do evento, abandonou o texto do discurso para manifestar solidariedade ao aliado. Destacou, principalmente, a mudança na relação entre o governo federal e a administração fluminense, num recado à oposição no estado.

Borrasca
O mar proceloso no qual Cabral agora navega começou com a greve dos bombeiros — crise administrada pelo governo fluminense da pior maneira. A dificuldade para enfrentar situações adversas se repete agora. O ex-governador Anthony Garotinho (PR-RJ), com aliados em diversos setores da administração, vasculha as entranhas dos contratos do governo e os registros de viagens de Cabral no Departamento de Aviação Civil para fazer o assunto render. O ex-prefeito carioca Cesar Maia (DEM) também está na ofensiva.

COLUNA BRASÍLIA-DF - 29/06/2011
 

 

 

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