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Gabeira revê dispensa a candidatos a presidente

O deputado federal Fernando Gabeira, candidato a governador do Rio pelo PV, ainda procura um caminho para tentar repetir na reta final o desempenho da eleição para prefeito de 2008. Ontem, voltou atrás na decisão anunciada no domingo de não fazer mais campanha para os candidatos a presidente da sua coligação, tanto para Marina Silva (PV) quanto para José Serra (PSDB). Gabeira quer se tornar independente, mas não pode abandonar no meio do caminho a coligação que o apoiou, principalmente seu partido, o PV.

O cientista político da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Charles Pessanha diz que Gabeira sempre foi um bom candidato independente. "Ele está amarrado a dois candidatos. Esta aliança é inusitada", critica. "Os dois candidatos a presidente são opostos. O Serra bate no [presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] e a Marina bate no Serra. Não o ajudam em nada". Para Pessanha será inviável Gabeira repetir a subida final que teve nas eleições de 2008, quando chegou a liderar as pesquisas e perdeu por apenas um ponto percentual (50% a 49%) do atual prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). "O Gabeira não é mais o cabeça de chave. Ele virou um coadjuvante. E isto, ele nunca foi".
Nem na cidade do Rio o deputado federal consegue chegar perto do desempenho de 2008. Hoje, segundo a última pesquisa do Datafolha, divulgada em 17 de setembro, Gabeira tem 22% dos votos na capital, onde vem concentrando a maior parte de sua campanha, contra 54% do governador Sérgio Cabral (PMDB), candidato à reeleição.

Questionado, o deputado conta que fez a afirmação num momento de reflexão. "A notícia não é mentirosa. Avaliei melhor e decidi ficar presente", conta com seu jeito tranquilo. Ele não descarta uma eventual mudança de ideia. "Eles têm uma agenda difícil, por conta do tráfego aéreo. Mas vou tornar minha agenda mais ágil para estar com Mariana e ajudar a levar a campanha para o segundo turno", afirma. No sábado, Gabeira ficou quatro horas esperando por Marina em Nova Iguaçu.

No entanto, para Geraldo Tadeu Monteiro, diretor-presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Social (IBPS), acompanhar ou não os presidenciáveis não fará diferença para Gabeira, já que a transferência de votos entre eles não está acontecendo. "As pesquisas indicam uma transferência insignificante. O eleitor não é mais ideológico. Há quem vote em Dilma [Rousseff, candidata do PT à Presidência], no Gabeira e no [Marcelo] Crivella [candidato a senador pelo PRB], por exemplo."
De fato, segundo a mesma pesquisa do Datafolha, dos candidatos que disseram votar em Gabeira, 6% votam em Dilma, 12% em Serra e 15% em Serra.

"Houve um grande desencontro na candidatura do Gabeira. Ele confiou que teria apoio e não teve. Você não o vê na rua com grandes nomes da coligação, com raras exceções", avalia Geraldo Tadeu.

21/09/2010

 

 

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