SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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Ficha Limpa, uma quase unanimidade

Pesquisa indica que 85% dos eleitores apoiam a legislação. Mesmo estudo mostra que quatro em cada dez entrevistados conhecem casos de troca de votos por favores pessoais

A lei da Ficha Limpa, que terá parte de sua aplicação julgada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) durante a tarde de hoje, é apoiada por 85% dos brasileiros. Os dados divulgados pela pesquisa Perfil do Eleitor do Ibope/Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB) mostram ainda que o apoio à legislação é especialmente maior nas regiões Centro-Oeste e Norte, onde 91% dizem concordar com a barração dos fichas sujas. “Fiquei decepcionada com todos os políticos em que votei na eleição passada. Escolhi pelas propostas na televisão, mas nenhum cumpriu o que prometeu. Para eu escolher um candidato agora, ele vai ter que ser direito, cumprir o seu papel e o que prometeu”, garante a dona de casa Cleonice Santiago, de 40 anos.

Moradora do Varjão, Cleonice reúne várias das características traçadas pela pesquisa Ibope/AMB. Assim como boa parte dos eleitores brasileiros, ela apoia a ficha limpa, não confia na classe política, acredita que são os políticos os principais beneficiados pela política e não sabe a quem recorrer para relatar irregularidades eleitorais. Pior, se por ventura topasse com um caso de compra de votos, silenciaria. “Se ouvisse boatos sobre compra de votos, jamais denunciaria. Aqui, quanto mais ficar quieto melhor, até para não criar inimizade na vizinhança”, justifica.

De acordo com o levantamento, 43% dos eleitores brasileiros conhecem algum caso de compra de votos, e 54% não denunciariam a irregularidade à Justiça Eleitoral. Para a AMB, a naturalização de um crime eleitoral é mais um indício da descrença da população na política, que poderia ficar ainda mais latente com uma possível derrubada da lei pela Justiça. “Não podemos desconhecer que isso (uma derrubada da Ficha Limpa pelo STF) será uma frustração nacional. Ninguém aqui terá outro sentimento a não ser o de frustração”, afirma o presidente da AMB, Mozart Valadares.

A entidade responsável pela pesquisa aponta que um dos dados mais preocupantes é o índice de pessoas que desconhecem a quem reclamar sobre possíveis irregularidades eleitorais, que chega a 14%. Uma das entidades responsáveis por acolher denúncias, o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), coleciona casos que ilustram a criatividade dos políticos na hora de comprar votos. Para burlar a legislação, muitos contratam eleitores como cabos eleitorais somente para o dia do pleito. Como a boca de urna é proibida, a única função do bico é garantir votos para o candidato.
 

22/09/2010

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