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Disputa na Alerj acaba, mas a paz está longe de chegar

Deputados do PMDB que vão se revezar na presidência da Casa ainda têm arestas a aparar

O acordo costurado pelo governador Sérgio Cabral para a eleição do presidente da Assembleia Legislativa (Alerj) deveria selar a paz na Casa. Mas o clima entre os dois pretendentes ao cargo ainda é de disputa.

O problema está na aplicação do acordo, que prevê rodízio entre Paulo Melo e Domingos Brazão, ambos do PMDB: Melo ocuparia a presidência nos dois primeiros anos e Brazão, em 2013 e 2014. A intenção de Brazão é dividir o poder na Casa, incluindo integrantes de seu grupo político na chapa da Mesa Diretora que será formada por Melo. Este, porém, diz que o acordo não prevê a divisão. “Eu vou compor a Mesa com os quadros que eu já tinha definido. Eu não vou indicar na Mesa dele também”, afirma Melo. Brazão critica a postura do adversário. “Não vejo com bons olhos. Tem que haver diálogo”, diz o peemedebista.

A eleição na Alerj será em 2 de fevereiro, no dia seguinte à posse dos deputados eleitos em outubro. A entrada do governador em cena foi para pôr fim à divisão no PMDB e na base aliada do governo. Além do rodízio na presidência, Cabral também acertou com os deputados a aprovação de projeto de Brazão que proíbe a reeleição para o mesmo cargo na Mesa da Alerj.

MELO E BRAZÃO FALAM DO ACORDO:

5 MINUTOS COM PAULO MELO, DEPUTADO ESTADUAL
Líder do governo, Paulo Melo tinha certeza do apoio do governador para a vitória na disputa pela presidência da Alerj. Mas diz que aceitou o rodízio no cargo porque o acordo foi costurado por Sérgio Cabral.

1. A proposta de rodízio desagradou ao senhor?
Eu sempre achei que quatro anos são o ideal para um presidente da Alerj. Eu tinha certeza da vitória, mas o governador Sérgio Cabral me fez um apelo para a tranquilidade do governo.

2. O acordo será cumprido?
Pela minha parte sim, mas eu só tenho o meu voto. O acordo vale, mas as pessoas têm que trabalhar sua candidatura como eu construí a minha. A candidatura não pode ser imposta, como diz o próprio deputado Domingos Brazão.

3. Ao assumir a presidência o senhor vai colocar em votação o projeto de Brazão que proíbe a reeleição para o mesmo cargo na Mesa Diretora?
O projeto tem que ir para as comissões. Vou estabelecer uma pauta com os líderes partidários.

4. Como vai ser a composição dos cargos na Mesa e nas comissões? O acordo prevê a divisão com o grupo de Brazão?
Não. Eu vou compor a Mesa com os quadros que eu já tinha definido. Eu não vou indicar na Mesa dele também. Até porque ele não pediu isso.

5. Qual será sua marca na presidência da Assembleia?
A transparência. Quero fazer uma administração voltada para a a transparência, economia e a funcionalidade, abrir a Casa para o cidadão comum.

5 MINUTOS COM DOMINGOS BRAZÃO, DEPUTADO ESTADUAL
Apesar de disputar a presidência da Alerj contra um candidato do governador, Brazão também acreditava na vitória. Ele diz que aceitou a proposta de rodízio porque confia em Sérgio Cabral.

1. Que certeza o senhor tem de que o acordo será cumprido?
Eu confio na palavra do governador e na do presidente do PMDB, Jorge Picciani. Acordo é para ser cumprido. É um acordo que interessa a todos nós.

2. Paulo Melo diz que o acordo está fechado, mas que o senhor terá que trabalhar sua candidatura para 2013. O senhor não teme surgir outro nome até lá?
Não, porque não foi esse o acordo que eu acertei com o governador. Parece que ele (Melo) não entendeu.

3.Os cargos na Mesa Diretora serão divididos entre os grupos do senhor e do Paulo Melo? Ele diz que não haverá divisão e que o senhor não pediu isso.
Eu não tratei isso com o governador porque não era o momento. Não vejo com bons olhos o deputado Paulo Melo querer fazer a Mesa só com os deputados que, a princípio, estariam dispostos a votar nele. Quando a gente faz um acordo tem que estar desarmado, buscando entendimento. Tem que haver diálogo nas composições.

4. O que o senhor pretende deixar como marca sua na presidência da Alerj?
Quero fortalecer o sistema de comunicação com o cidadão comum, incentivando a TV Alerj e criando uma rádio.

5. O senhor sai deste acordo como líder de um grupo na Alerj?
Aqui, sou liderado. Defendo que o cargo de presidente não pode servir para distanciar o ocupante dos demais.

11/01/2011

 

 

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