SINDICATO DOS AUDITORES FISCAIS DA RECEITA ESTADUAL DO RIO DE JANEIRO

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Geraldo Vila Forte: Os servidores e a crise

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"Na raiz desse problema há um sentimento generalizado de que se pagam impostos de primeiro mundo para receber um serviço de terceiro ou quarto"

Os cidadãos até entendem e apoiam as manifestações de servidores públicos em defesa de seus direitos. E olha que essas manifestações não raramente infernizam a vida de todos, complicando o ir e vir. Entretanto, como culpar um trabalhador que, com pagamento atrasado e aposentadoria ameaçada, usa as armas de que dispõe na defesa de seus direitos?

Ocorre que esses mesmos cidadãos não dão qualquer mostra de boa vontade quando a questão é a falta de qualidade do serviço público. Escolas e hospitais ruins, burocracia lenta e mal-humorada e prédios públicos em petição de miséria são exemplos de situações cada vez mais intoleráveis para a sociedade brasileira.

Na raiz desse problema há um sentimento generalizado de que se pagam impostos de primeiro mundo para receber um serviço de terceiro ou quarto. Para piorar o clima, não raramente, essa falta de qualidade é maliciosamente colocada exclusivamente na conta do servidor: o indolente bode-expiatório de quase sempre. Daí para que servidores e cidadão cheguem às vias de fato é um pulo.

Ora, que fique claro que a revolta com a precariedade do serviço público não está restrita ao usuário. Trata-se de problema que incomoda também as corporações estatais, obrigadas a conviver com falta de eficiência ou desperdício de recursos em suas áreas de atuação, além do justificado mau humor da sociedade. Trabalhar por soluções é tudo que os funcionários almejam; entretanto, nem sempre se tem disposição dos governantes em ouvir sugestões.

Se, por um lado, a grave crise que se instalou no país agravou esse quadro, por outro, criou grande oportunidade para os servidores públicos. Vejamos. Em primeiro lugar, nunca houve tanta necessidade de o governo adotar iniciativas para aumentar sua eficiência e reduzir seus custos.

Além disso, acabaram os fartos recursos para contratar renomadas consultorias externas em busca de soluções mágicas. Chegou a hora, portanto, de os santos de casa começarem a operar os seus milagres.

Sintonizado com esse espírito de urgência, o Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual do Rio de Janeiro, Sinfrerj, apresentou ao governo um conjuntos de 28 propostas para o aumento da arrecadação no curto prazo.

Por exemplo, você sabia que a simples e justa iniciativa de retirar a carne de primeira da cesta básica pode significar aumento anual de R$ 100 milhões na arrecadação? Ou ainda, que aprimorar os controles sobre royalties e participação especial pode render outros R$ 500 milhões anuais?

Ciente de que não há solução rápida ou fácil, o trabalho tem por objetivo somar-se a outras iniciativas governamentais no esforço de recolocar o Estado do Rio no rumo do crescimento e da prosperidade.

O DIA - OPINIÃO - 14/03/2017
Geraldo Vila Forte Machado é presidente do Sindicato dos Auditores Fiscais da Receita Estadual