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Witzel cola em Bolsonaro, Paes negocia neutralidade

Os candidatos ao governo do Rio pelo PSC, Wilson Witzel , e pelo DEM, Eduardo Paes , começaram a campanha eleitoral no segundo turno se dividindo entre as agendas de rua, conversas com aliados para redefinir as estratégias e a busca por apoio dos derrotados no primeiro turno. Na terça-feira, o PSD de Indio da Costa, que terminou em sexto lugar com 5,95% dos votos válidos, declarou apoio a Witzel . 
O resultado de 41,28% dos votos válidos no último domingo veio depois que o candidato do PSC recebeu apoio de Flávio Bolsonaro, filho do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) e senador eleito pelo Rio, faltando poucos dias para o primeiro turno. A expectativa da campanha de Witzel é que Flávio participe ativamente da campanha de segundo turno. Inclusive, a equipe jurídica avalia a possibilidade de o filho do presidenciável, caso aceite o convite, participe também do programa de TV e rádio. A ideia é atrelar ainda mais o nome do candidato do PSC ao de Bolsonaro. A equipe de Witzel entende que, por Flávio já ter sido eleito, não haveria impedimento. Já Jair Bolsonaro estaria impedido de fazer uma gravação pedindo votos para o ex-juiz no horário eleitoral porque os PSL e o PSC não estão coligados.

Paes vai apostar, pelo menos por enquanto, na neutralidade que a família Bolsonaro adotou ao longo da maior parte do primeiro turno na tentativa de reverter a vantagem do adversário. Inicialmente, a ordem de Jair Bolsonaro foi a de não declarar apoio formal a nenhum postulante ao Palácio Guanabara.  Flávio abraçou a campanha de Witzel depois que alguns aliados - como Rodrigo Amorim, o candidato mais votado para a Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) - passaram a andar com o candidato do PSC. Antes, já tinha elogiado Paes e feito agenda com Romário (Podemos), que terminou a disputa em quarto lugar, com 664.511 votos (8,70%). Aliás, tanto Witzel quanto o candidato do DEM disputam o apoio do senador no segundo turno.  Romário chegou a falar por mensagem com o ex-juiz e desejou sorte para que ele derrotasse Paes. No entanto, não bateu martelo sobre o apoio.

Ontem, segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, o deputado estadual reeleito André Corrêa (DEM) sondou Flávio, de quem é colega na Alerj sobre o posicionamento da família Bolsonaro no segundo turno. Não há nada definido ainda. Um jantar entre Witzel e Flávio estava marcado para anteontem, mas acabou não ocorrendo. Em uma reunião na manhã de ontem com Flávio, a maioria da bancada estadual eleita do PSL demonstrou que queria aderir já à campanha do ex-juiz. No entanto, a decisão só terá tomada na amanhã, quando Jair Bolsonaro se reúne com a bancada federal. Procurado para falar sobre a articulação em busca da neutralidade dos Bolsonaro, Corrêa não retornou as ligações.

Na tentativa de desconstruir o adversário, tanto no horário eleitoral  quanto nos debates, Paes vai insistir na tese de que o ex-juiz não tem qualquer experiência administrativa. A estratégia, que já começou a ser implementada com uma entrevista durante um corpo a corpo na tarde de ontem, é comparar Witzel com o prefeito Marcelo Crivella (PRB), que tem enfrentado dificuldades para comandar a prefeitura do Rio.

- A proposta é comparar a carreira de um ex-prefeito que tem oito anos de experiência da com alguém que só se tornou conhecido três dias antes das eleições. O eleitor será alertado que não será fácil para alguém sem experiência governar um estado com restrições de gastos devido ao regime de recuperação fiscal, com altos índices de violência e muitos outros problemas. Crivella será referência - disse um aliado.

A campanha também pretende reforçar a presença de Paes nas redes sociais. Outro argumento a ser usado é que Paes, embora tenha sido aliado do ex-presidente Lula e de governos do PT, jamais foi de um partido de esquerda. O ponto fraco do argumento, reconhecem, é a ligação com o ex-governador Sérgio Cabral (MDB).

Por outro lado, Paes também terá vários obstáculos. Aliados admitem que o apoio dos prefeitos do interior não deverá ser tão explicito quanto no primeiro turno. O motivo é que muitos dependem de recursos do estado para manter a máquina e temem que, caso optem pelo lado derrotado, sejam preteridos a dois anos do fim dos mandatos.

11/10/2018

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