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Vulnerabilidade fiscal e incerteza eleitoral puxam alta do dólar, diz economista

A eventual eleição de um candidato não comprometido com o ajuste fiscal e a aprovação da reforma da Previdência deverá levar o dólar para R$ 5,35 até o final do ano. E o risco país também vai subir, devendo dobrar em relação ao nível atual. As projeções são de Maurício Oreng, economista-chefe do Rabobank no Brasil, para quem a falta de uma perspectiva de controle das contas públicas levará os investidores a antecipar para o preço dos ativos (dólar, juros, ações) a piora nas contas públicas que tal quadro implicaria para a economia no próximo ano e em 2020.

Em sua visão, o Banco Central (BC) atua de forma correta ao prover liquidez ao mercado, mas sem interferir na taxa de câmbio. O economista lembra, contudo, que embora a política monetária seja independente da cambial, há uma ligação entre ambas, que é o ponto em que o aumento das expectativas de inflação decorrente do dólar mais alto, que pressiona o preço de bens importados ou que tenham insumos referenciados no mercado internacional.

O que justifica essa valorização do dólar no Brasil? É só um movimento global?
O dólar se fortalece porque as condições financeiras se alteraram no exterior. Os Estados Unidos estão subindo os juros e os investidores globais avaliam se compensa manter uma aplicação em um mercado mais arriscado e acaba redução o seu apetite por mercados emergentes. Turquia e Argentina sofreram muito com isso. Mas a situação deles é diferente, com alta inflação e problema no balanço de pagamentos.

Mas por que então o dólar passou a subir mais no Brasil nos últimos dias?
É uma reprecificação, que mostra uma busca por proteção. O importador e as empresas com dívida em dólar veem que a cotação está mudando de patamar e vão buscar uma proteção (comprando dólares). Isso ajuda na alta. Além disso, o Brasil tem bons fundamentos nas contas externas (reservas elevadas, investidores estrangeiros diretos), mas tem uma vulnerabilidade fiscal. E aí a incerteza eleitoral ganha um peso. O cenário é nebuloso em relação ao resultado e não se sabe se quem ganhar vai querer as reformas e manter a política econômica. ‘O cenário é nebuloso em relação ao resultado (eleitoral) e não se sabe se quem ganhar vai querer as reformas e manter a política econômica.’

A paralisação dos caminhoneiros, que gerou uma solução de impacto fiscal, aumentou essa aversão ao risco?
Gerou um ruído, mas não foi isso que agravou a situação. O que contamina a expectativa do mercado é a política fiscal e sua trajetória. A equipe econômica até tentou minimizar os efeitos do subsídio ao diesel nas contas públicas, mas esse não é o maior problema não é o agora. A questão fundamental é a eleição.

O Brasil está sendo então alvo de uma especulação?
Esse é um termo negativo. Mas se especula em relação à questão fiscal do país. O investidor tem dificuldade de prever o futuro e então projeta um cenário em que não haja uma reforma da Previdência, que é o mais importante a médio e longo prazo, para 2019 e 2020. É uma especulação no sentido de aumentar a chance de um cenário pior.

E como isso afeta as projeções para o dólar?
No nosso cenário base, caso um candidato reformista ganhe as eleições, o risco país do Brasil iria cairia para 150 pontos e o dólar recuaria para R$ 3,40. Mas embora seja um cenário base, ele é de baixa probabilidade, neste momento, de acontecer.

E qual o outro cenário?
O cenário mais extremo é que o resultado da eleição mostre que o eleito não irá dar continuidade à Reforma da Previdência e irá mudar a política econômica. Os agentes vão antecipar a piora fiscal que o Brasil vai ter em 2019 e 2010 e com isso o risco país pode ir para 500 pontos e o dólar chegar a R$ 5,25 no fim do ano. ‘O BC está fazendo o que pode. A origem da depreciação do real não é gerada por ele. É fruto de uma questão externa e de um problema fiscal.’

E como tem sido a atuação do Banco Central em meio a essa maior volatilidade?
O BC está fazendo o que pode. A origem da depreciação do real não é gerada por ele. É fruto de uma questão externa e de um problema fiscal. O regime de câmbio é flutuante e o BC não quer e nem pode controlar a cotação. Ele só está fazendo movimentos para corrigir eventuais anomalias. O presidente do BC, Illan Goldfajn, sinalizou que tem bala na agulha para isso. Elevar os juros não faz sentido porque não estamos na mesma situação que Argentina ou Turquia.

Então não é necessário um aumento dos juros para conter o dólar?
A política monetária não pode ser usada para controlar o câmbio. Mas é claro que o BC vai analisar os impactos desse choque no dólar no cenário de inflação. A política monetária é separada da cambial, mas há um canal de comunicação entre as duas. Por essa razão, o BC vai ver até onde o choque cambial afeta as expectativas de inflação.

 

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